Onda de terror atinge 10 cidades do Iraque e mata 30

Atentados em série contra alvos do governo e bairros xiitas deixam 117 feridos; Bagdá culpa radicais sunitas

BAGDÁ, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2012 | 03h06

Atentados em série voltaram a espalhar terror pelo Iraque, deixando ontem mais de 30 mortos e 117 feridos em 10 cidades. A capital, Bagdá, e Kirkuk - cidade onde convivem as etnias árabe, curda e turcomena - registraram os piores ataques. Novamente, as suspeitas recaem sobre insurgentes sunitas ligados à Al-Qaeda, que tentam minar o governo central de Bagdá, comandado por xiitas.

Autoridades iraquianas afirmam que todos os ataques ocorreram em um espaço de tempo relativamente curto, de uma hora e 15 minutos - mostra do poder operacional da insurgência em todo país. Metade dos atentados foi contra forças de segurança e outros funcionários do governo, enquanto o restante atingiu alvos xiitas.

Com a queda do regime de Saddam Hussein, em 2003, as ondas de terror tornaram-se uma constante no Iraque. A de ontem foi a mais violenta em um mês. Teme-se que com a retirada definitiva dos EUA, concluída em dezembro, a insurgência sunita consiga ampliar a tensão sectária e arrastar o país de volta à guerra civil.

A violência no Iraque havia recuado desde meados do mês passado e muitos acreditavam que a calma relativa era um sinal do enfraquecimento dos grupos terroristas. Nenhuma organização assumiu a autoria dos atentados, mas o porta-voz do comando militar de Bagdá, coronel Dhia al-Wakeel, afirmou que o modus operandi das ações indicam que elas foram perpetradas por radicais sunitas.

"Que crime cometemos? Até quando essa violência continuará?", questionou uma mulher que viu um carro explodir diante de seu prédio, na região oeste de Bagdá. "Essa é a segurança no Iraque", afirmou um homem cujo carro foi parcialmente destruído na mesma explosão. Ao todo, 12 pessoas morreram nas explosões apenas na capital. / AP

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