Onda de violência cresce na França

Protestos contra a reforma na previdência social já provocam falta de combustível no país

Andrei Netto - correspondente de O Estado de S. Paulo,

18 de outubro de 2010 | 20h08

 

PARIS - A radicalização dos movimentos de protesto contra a reforma da previdência, em especial dos sindicatos de petroleiros e dos estudantes, está levando a França ao paulatino desabastecimento de combustíveis e ao aumento da violência nas ruas.

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Nesta segunda-feira, 18, mais de 2,6 mil postos de combustíveis enfrentaram falta de estoques, enquanto nas periferias das maiores cidades do país houve incidentes entre a polícia os jovens manifestantes. Mais de 200 foram presos. Na terça-feira, uma nova jornada de mobilização deve parar o país.

Os protestos mais agressivos contra a reforma da previdência ocorreram pela manhã, em Nanterre, na periferia de Paris. Cerca de 200 a 250 estudantes secundaristas – a maioria encapuzados – atacaram abrigos de ônibus, lixeiras e automóveis e responderam com pedras às bombas de gás lacrimogêneo e disparos de balas de borracha da polícia.

Incidentes violentos também ocorreram em Combs-La-Ville, onde carros foram queimados e coquetéis molotov atirados na polícia. Em Lagny e Evry também houve quebra-quebra, e em Saint-Denis uma galeria foi saqueada. No interior, houve violência em Nantes, Lyon, Lille e Mulhouse. Segundo a União Nacional de Escolas Secundárias (UNL), estudantes bloquearam 550 escolas de 2.º grau. Para o Ministério da Educação, o número não chegou à metade.

Em outra frente de batalha sindical, a greve dos petroleiros já leva ao desabastecimento mais de 2,6 mil postos de combustíveis dos 12,5 mil do país, conforme a petrolífera Total, a Federação Francesa dos Combustíveis (FFCCC) e a União dos Importadores Independentes Petroleiros (UIP). Filas de espera de uma hora se espalharam pelo país. Em compensação, os aeroportos de Roissy-Charles de Gaulle e Orly tiveram o abastecimento suprido.

Os problemas continuam a ser causados pela greve dos petroleiros em todas as 12 refinarias do país e pelo bloqueio de reservatórios. Em razão do desabastecimento crescente, o ministro do Interior, Brice Hortefeux, ativou o gabinete da crise – negado pelo governo.

Hoje, enquanto o presidente da França, Nicolas Sarkozy, defendia a reforma, os ministros da Economia, Christine Lagarde, da Indústria, Christian Estrosi, e dos Transportes, Dominique Bussereau, se revezaram na imprensa para assegurar que o abastecimento será normalizado.

Em Marselha, em outro foco da greve, a coleta de lixo foi suspensa e toneladas de detritos começam a se acumular nas ruas. A cidade vive ainda o bloqueio do porto, que obriga dezenas de navios a aguardar a carga e a descarga no Mediterrâneo.

Apesar das garantias do governo, os franceses se mostram céticos quanto à solução dos problemas. Isso porque amanhã nova jornada de protestos será convocada pelos sindicatos. E na quarta-feira o Senado deve começar a examinar o texto definitivo da reforma que elevará a idade mínima de aposentadoria de 60 para 62 anos.

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