Lluis Gene/AFP
Lluis Gene/AFP

Onda de violência faz Barcelona considerar lei anticrime mais dura

Governo luta contra aumento da criminalidade em uma das cidades mais visitadas do mundo 

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2019 | 20h09

BARCELONA - O governo catalão estuda um endurecimento das leis para combater uma onda de roubos e furtos em Barcelona, um dos destinos turísticos mais procurados do mundo. Miquel Buch, secretário regional do Interior, pretende apresentar uma proposta para mudar o Código Penal nos próximos meses. “Hoje, os marginais da cidade entram por uma porta e saem por outra”, afirmou.

O principal alvo das autoridades é o sistema jurídico, que não costuma manter preso criminosos sem antecedentes nem punir com rigor a reincidência em assaltos envolvendo menos de € 400  (R$ 1.840) – que são apenas sancionados com multa. Segundo a polícia, apenas 10% detidos por crimes violentos foram presos em 2018 e 2019. 

A violência fez com que o Consulado dos EUA, na quarta-feira, emitisse um alerta para os americanos que visitam a cidade. Na segunda-feira, 19, o embaixador afegão na Espanha foi atacado por batedores de carteira e uma turista francesa, de 91 anos, foi parar no hospital após um assalto na rua. 

Desde julho, oito homicídios foram registrados – um número incomum para os padrões da cidade algo incomum nesta cidade. “A crise (de segurança) de Barcelona pode afetar a reputação da cidade”, alertou recentemente o sindicato dos hotéis da cidade. 

Segurança

Segundo dados oficiais, furtos e roubos violentos cresceram 28% entre 2016 e 2018. A tendência continua neste ano, com aumento de 31% no primeiro semestre, comparado ao mesmo período do ano passado – embora a taxa de homicídios ainda esteja longe de outras metrópoles como Londres, Berlim e Bruxelas.

“Barcelona continua a ser uma cidade segura. Há um pico (de violência), mas não parece ser suficiente para ganhar essa repercussão", disse Sonia Andolz, especialista em políticas de segurança pública. 

De acordo com ela, uma das causas do aumento do crime é o boom do turismo, que vem crescendo desde a Olimpíada de 1992. Em 1990, os hotéis da cidade de 1,6 milhão de habitantes receberam 1,7 milhão de pessoas. Em 2017, foram 8,8 milhões – sem contar os 2,7 milhões de passageiros de cruzeiros e 2,4 milhões de turistas alojados em apartamentos. “Os turistas são um alvo fácil e sempre atraem os delinquentes”, disse Andolz.

Quase 60% dos furtos e roubos estão concentrados nas áreas mais visitadas: Cidade Velha e Eixample, onde estão os monumentos mais emblemáticos de Barcelona, como a Sagrada Família.

Muitos culpam a prefeita Ada Colau, acusada de ser muito tolerante com o crime desde que assumiu, em 2015. Para mudar a imagem ruim, a prefeitura aumentou orçamento para o setor e o governo regional prometeu mais recursos e tropas. 

Patrulhas

Insatisfeitos, alguns moradores organizaram patrulhas para combater assaltos. Com cartazes em diferentes idiomas, eles circulam pela cidade alertando para a presença de ladrões. No metrô, quando veem um suspeito, apitam, apontam o dedo e gritam até que ele saia da estação. 

“Ou fazemos alguma coisa para recuperar Barcelona ou ela se tornará uma cidade sul-americana”, afirmou a colombiana Eliana Guerrero, que há 12 anos caça batedores de carteira no metrô da cidade. / REUTERS, AFP e EFE

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