Onda de violência mata ao menos oito no Afeganistão

Militares norte-americanos disseram nesta segunda-feira que o aumento da violência no país provou ser "muito difícil de se combater". A declaração foi uma reação à morte de três pessoas em ataques distintos no sul do país. Homens armados não identificados também mataram, no domingo, cinco médicos antes de atear fogo na clínica onde trabalhavam, em um raro ataque no noroeste afegão. O aumento da violência acontece logo após militantes talebans ameaçarem intensificar os ataques às forças de coalizão durante os meses da primavera e do verão locais (outono e inverno do Brasil). Em Cabul, o porta-voz do exército americano, o coronel James Yonts, disse que as forças talebans aumentaram os ataques e mudaram suas táticas para espalhar uma campanha de medo no país. Tal estratégia é mais importante do que a tentativa de subjugar as forças de segurança lideradas pelos EUA. Muito da violência ocorreu nas regiões sul e leste do Afeganistão, locais onde os insurgentes são fortes. No entanto, a chacina dos médicos em Badghis, a mais de 370 quilômetros ao norte da capital, foi incomum porque aconteceu em uma província pacífica. Os assassinos entraram na clínica médica e mataram todos que encontraram - incluindo um médico e quatro enfermeiras - antes de atear fogo no edifício, informou o governador da província, Hanayatullah Hanayat. Nenhum paciente estava no local e as forças de segurança estão investigando a chacina. "Essa clínica era essencial para essa área", disse o governador. Separadamente, uma explosão matou dois policiais e feriu outros dois nesta segunda-feira durante uma patrulha de erradicação de ópio na província Helmand, ao sul do país. O Afeganistão trafica cerca de 90% do ópio e da heroína consumidos no mundo. Desse total, acredita-se que parte do lucro vá parar nas mãos dos talebans. As forças de segurança fizeram uma grande campanha de destruição de campos de papoula (planta da qual se extrai o ópio e a heroína) em Helmand. Em algum lugar desta província, militantes talebans pararam dois caminhões que transportavam comida para a coalizão e mataram um motorista, enquanto o outro fugiu em seu veículo, informou o chefe de polícia de Girishk, major Amanullah. Em outro surto de violência, cerca de 40 talebans atacaram no domingo um edifício governamental no distrito de Waygal, na remota província de Nuristan, ao leste do país. Segundo o chefe de polícia da província, general Abdul Baqi, três insurgentes ficaram feridos. A escalada da violência é uma preocupação não só para os EUA, que mantém mais de 18 mil soldados no Afeganistão, como para seus principais aliados - britânicos, canadenses e holandeses -, que mantêm ao todo cerca de 6 mil homens no país.

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