Ondas destroem barcos e casas; vulcão esvazia cidades

Sobreviventes relatam momentos de pânico no mar, enquanto ONGs buscam crianças deixadas para trás

REUTERS, AP e AFP, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2010 | 00h00

JACARTA

Pescadores e turistas que estavam no mar, no momento do tsunami, viveram momentos de pânico quando as ondas começaram a chegar à costa, fazendo com que várias embarcações se chocassem nos ancoradouros. A maré avançou até 600 metros sobre a faixa litorânea das ilhas da Indonésia.

Em Mentawai, um destino turístico que atrai principalmente surfistas, uma embarcação pegou fogo após colidir com outro barco atracado. Os tripulantes saltaram em pânico, mas tiveram apenas "intoxicação pela inalação da fumaça e escoriações menores", disse em comunicado a empresa Perfect Wave, que organiza passeios na região.

"As pessoas sobreviveram porque entraram correndo no meu café e subiram rapidamente para o terceiro andar", disse Rini Arif, na Ilha de Sumatra, a maior do arquipélago indonésio.

Centenas de casas feitas de madeira ou bambu foram varridas da Ilha de Pagai. "Todos saíram correndo de suas casas", disse Sofyan Alawi, acrescentando que as estradas dos locais mais altos ficaram lotadas de veículos em poucos minutos.

"Olhávamos para trás para ver se a onda ainda estava vindo", disse Ade Syahputra.

Um grupo de turistas australianos disse ter visto "uma parede de água e espuma branca" erguer-se no mar. "Sentimos um tranco forte debaixo do barco. Depois de alguns minutos, ouvimos um rugido. Na mesma hora, pensei num tsunami e vimos a onda quebrar sobre o nosso barco", disse Rick Hallet, operador turístico na Ilha de Sumatra. Todos os passageiros do barco sobreviveram depois de pular no mar e se agarrar a destroços do barco. Eles foram encontrados na praia horas mais tarde.

Um grupo de oito surfistas australianos estaria desaparecido, segundo autoridades locais.

Vulcão. Muitos moradores de Yogyakarta, onde o Vulcão Merapi entrou em erupção, buscaram abrigo num prédio de quatro andares, que fica a 12 quilômetros do local da erupção. A maioria era mulheres e crianças. Os homens ficaram para trás, para cuidar de suas casas e seus pertences. "Neste momento, nossa maior preocupação é com as crianças", disse Fadli Usman, da ONG World Vision na Indonésia. "As crianças sempre são esquecidas nas primeiras horas depois de um desastre como este."

"Nós ouvimos três explosões até as 18 horas. Elas jogaram cinzas a uma altura de 1,5 quilômetro e nuvens de vapor pelas encostas do vulcão", disse o responsável pelo serviço de monitoramento de vulcões da Indonésia.

Mais de 19 mil moradores que vivem num raio de até 10 quilômetros ao redor do Merapi tiveram de deixar suas casas. A emissora local Metro TV mostrou imagens do Merapi expelindo vapor e cinzas.

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