ONG acredita que brasileiros no nordeste do Japão estejam bem

Voluntário de entidade diz que não há notícias sobre mortes de dekasseguis em região onde vivem [br]10 mil imigrantes

Milton F. da Rocha Filho, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2011 | 00h00

Toshiro Kobayashi, ex-presidente do Banco de Tokyo-Mitsubishi, que atua como voluntário na NTO-ABC, entidade que atende dekasseguis (brasileiros descendentes de japoneses que vivem no Japão), declarou que no nordeste do Japão não há informação de que "algo mais sério" tenha ocorrido com os cerca de 10 mil brasileiros que moram na região.

"Por enquanto, não há informações sobre mortes. Esperamos que continue assim", disse. "Na verdade, a preocupação hoje está na questão nuclear. É preciso que as pessoas saiam imediatamente das proximidades das usinas. Governo e empresas estão retirando as pessoas de lá."

Ele contou que "uma estimativa aponta a existência de cerca de 280 mil brasileiros hoje no Japão". "É muita gente e a maioria trabalha no sul do país, longe das áreas mais afetadas. Mas o que se sente é que muitos deles estão assustados com a situação."

"O japonês já está mais acostumado com terremotos, mas também ficou chocado com o que ocorreu. Não está nada fácil por aqui, mas vamos vencer mais essa situação."

O levantamento feito por Kobayashi mostrou que a maior parte dos dekasseguis está entre Nagoya, Hamamatsu e Osaka. A maioria, segundo ele, trabalha em fábricas. Muitos, porém, trabalhavam no sul e acabaram transferidos para unidades no norte e no nordeste.

"Uma estatística exata e perfeita sobre os brasileiros no Japão não existe. O que se sabe é que há muita ajuda da embaixada brasileira e de organizações que procuram os dekasseguis para saber se precisam de algo."

Entre as maiores preocupações dos japoneses estão a elaboração de uma lista de desaparecidos e a retirada de corpos do mar, além da questão nuclear. "O Japão depende da energia das usinas nucleares. Sem ela, a situação ficará difícil. Já há uma espécie de racionamento em Tóquio."

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