ONG acusa chavismo de perseguição a opositores

Human Rights Watch culpa governo da Venezuela por violência nos protestos contra a eleição de Maduro

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2013 | 02h06

A entidade internacional de defesa de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) enviou ontem uma carta às Nações Unidas em que acusa o governo da Venezuela de utilizar detenções arbitrárias e violência contra os militantes antichavistas que participaram das manifestações contra a eleição de Nicolás Maduro, em abril.

Caracas, por sua vez, acusa o opositor Henrique Capriles, candidato derrotado na votação, de incitar os protestos violentos. "Preocupa-nos profundamente que as autoridades venezuelanas estejam utilizando investigações penais como uma ferramenta política para acusar opositores, sem a devida justificativa, de ter participado de delitos", declara, na carta, o diretor da ONG, José Miguel Vivanco.

Ele também afirma que está preocupado porque, "ao mesmo tempo, o país não investiga adequadamente denúncias importantes que foram formuladas sobre graves violações de direitos humanos".

Vivanco pede à ONU "que considere a possibilidade de emitir uma declaração pública sobre a violência ocorrida na Venezuela posteriormente às eleições". A carta é dirigida à comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, e a outros funcionários da organização que tratam do tema.

O diretor da HRW ressalta um relatório entregue pelo chanceler venezuelano, Elías Jaua, ao Alto-Comissariado da ONU para os Direitos Humanos afirmando que, durante os protestos pós-eleitorais organizados pela oposição, "foram assassinados 9 partidários do governo, 35 pessoas ficaram feridas e houve ataques contra 15 estabelecimentos de saúde, 5 sedes de partidos políticos e uma da Defensoria Pública".

"O relatório atribui a responsabilidade por esses incidentes a Henrique Capriles Radonski", diz Vivanco, para exemplificar o uso político das acusações contra o opositor.

A carta cita um relatório conjunto da ONG Programa Venezuelano de Educação-Ação em Direitos Humanos (Provea) e do Centro de Direitos Humanos da Universidade Central da Venezuela (UCV). O documento indica que "as forças de segurança detiveram arbitrariamente pelo menos 62 pessoas e feriram outras 38" nas manifestações antichavistas ocorridas no Estado de Lara, em 15 e 16 de abril.

"Em ao menos oito dos casos, os detidos afirmaram que foram obrigados a tirar a roupa e ameaçados de morte ou com a possibilidade de violência sexual", afirma a carta, citando um relatório da ONG Cofavic, em que "são documentados 72 casos de supostas detenções arbitrárias nas manifestações ocorridas após a eleição de 14 de abril em três Estados venezuelanos.

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