ONG alerta para perigo de bombas dormentes na Sérvia

Milhares de civis sérvios continuam em perigo por causa de bombas de cacho dormentes despejadas pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em 1999, segundo um relatório divulgado hoje pelo grupo humanitário norueguês People''s Aid. De acordo com a entidade, os artefatos estão espalhados por 15 cidades da Sérvia onde vivem cerca de 160 mil pessoas. Esses habitantes estão em perigo direto por causa das bombas, disse Miroslav Pisarevic, que participou do projeto financiado pelo Ministério das Relações Exteriores da Noruega.A Sérvia precisaria de 30 milhões de euros para limpar a área por onde foram disseminadas as bombas dormentes, calcula o relatório. Em 1999, a Otan desencadeou uma ofensiva militar contra a Sérvia em resposta a uma campanha de repressão a milícias separatistas kosovares. As bombas de cacho foram disparadas em diversas ocasiões durante os ataques. De 1999 para cá, 27 pessoas morreram e 152 ficaram feridas em explosões de bombas de cacho despejadas pela Otan em solo sérvio, disse Pisarevic. Autoridades sérvias ainda não se pronunciaram sobre o relatório.No ano passado, 93 países assinaram um acordo internacional que proíbe o uso de bombas de cacho. O documento negociado na Irlanda e assinado na Noruega prevê que os signatários não usarão bombas de cacho, destruirão as que possuem hoje durante os próximos oito anos e financiarão programas para limpar campos de batalha onde haja cápsulas dormentes dessas bombas de fragmentação.Quando detonadas, as bombas de cacho liberam cápsulas explosivas menores a esmo em várias direções, o que aumenta as chances de civis serem atingidos. Além disso, muitas dessas cápsulas não explodem imediatamente, ficando dormentes por meses ou anos e ameaçando civis que circulam pelas áreas atacadas tempos depois do término dos conflitos nos quais esses armamentos são empregados.

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