ONG alerta para risco a fontes de jornalistas na China

Jornalistas estrangeiros quecobrirem a Olimpíada de Pequim deve ter cuidado para nãocolocar em risco assistentes e fontes locais quando tratarem detemas sensíveis, disse uma ONG norte-americana naquinta-feira. O Comitê para a Proteção dos Jornalistas também pediu aoComitê Olímpico Internacional (COI) que pressione a China acumprir sua promessa de tolerar a liberdade de imprensa para osmais de 21,5 mil jornalistas credenciados para a Olimpíada--algo que, de acordo com a entidade, as autoridades ignoraramdurante os recentes distúrbios no Tibet. "A experiência demonstra que a China tende a se inclinarpela mão-pesada quando se trata do controle da mídia e deameaças à imagem do país como uma nação unificada", disserelatório do CPJ. "Repórteres que viajam à China devem estar cientes dosriscos para as pessoas que eles entrevistam ou contratam, bemcomo dos perigos para si próprios", diz o relatório intitulado"Ficando Aquém". Em 2001, para conquistar o direito de realizar os Jogos,Pequim prometeu liberdade total à imprensa, o que segundo a ONGnão ocorreu. "Mesmo a esta altura, insistam para que o governochinês cumpra plenamente suas promessas de liberdade deimprensa para os Jogos Olímpicos de 2008", recomendou o CPJ aoCOI. A promessa de liberdade de expressão expira ao final dosJogos, e mesmo durante eles só valerá para a imprensaestrangeira. Em março, vários jornalistas foram proibidos deentrar no Tibet, segundo o CPJ. Os que tentam burlar a vigilância, diz o texto, em geralenfrentam "mais inconvenientes do que dificuldades", emborasofram repercussões em longo prazo. Já os jornalistas asiáticos vêm sendo tratados com maisrispidez em alguns casos, e tradutores e outros assistenteschineses podem ter problemas se tiverem de trabalhar emmatérias delicadas. "Jornalistas que peçam a contratados chineses que marquemencontros com ativistas ou organizem uma visita a uma aldeiapara soropositivos deve perceber que podem estar colocando seuscolegas chineses em risco", exemplifica o relatório. "Esses assistentes podem só ser punidos depois dos Jogos,quando a atenção do mundo já se deslocou."Entre exemplos de assuntos-tabu o relatório menciona: asminorias budista do Tibete e muçulmana de Xinjiang; protestospor questões ambientais; a Aids; a repressão a refugiadosnorte-coreanos; e qualquer coisa que diga respeito à proscritaseita Falun Gong. (Reportagem Paul Eckert)

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