ONG avalia que Brasil hesita no combate à corrupção

Para a organização não-governamental Transparência Internacional, o governo brasileiro tem promovido "esforços hesitantes" para combater a corrupção, apesar de alguns avanços. O Brasil ocupa a 46ª posição no Índice de Percepções de Corrupção (IPC) deste ano, que avaliou 91 países. Essa posição representa uma pequena melhora em relação ao indice do ano passado, quando o Brasil ficou no 49º lugar. Mas em 1999, ficou na 45º posição. "Não houve uma grande variação no índice de corrupção do Brasil comparado a outros países", disse à Agência Estado, uma das responsáveis pelo estudo, Robin Hodess. "O país continua na faixa intermediária da corrupção mundial". Para elaborar o IPC, a Transparência Internacional se baseia, entre outras coisas, em estudos sobre corrupção elaborados por órgãos internacionais, como o Banco Mundial, e consultorias privadas. Finlândia é o país menos corrupto; Azerbaijão, o mais O topo do IPC 2001 é ocupado pelos países considerados menos corruptos. Os cinco primeiros neste ano são a Finlândia, Dinamarca, Nova Zelândia, Islândia e Cingapura. Já os cinco mais corruptos são o Azerbaijão, Indonésia, Uganda, Nigéria e Bangladesh. A Argentina ficou na 57ª posição. Além do IPC, a Transparência Internacional publicou o primeiro relatório sobre a corrupção no mundo, intitulado "Global Corruption Report 2001". Na parte dedicada à América do Sul, a ONG citou um estudo feito no Brasil que estima perdas de cerca de US$ 6 mil anuais per capita por conta da corrupção. "O Brasil tem vivido uma nova era de crescimento econômico e estabilidade desde o início da administração do presidente Fernando Henrique Cardoso em 1995, mas o governo tem feito apenas esforços hesitantes para combater a corrupção", disse o estudo. "Em abril deste ano o presidente anunciou a criação de um órgão anti-corrupção de nível ministerial, mas a sua atuação é limitada por conta da pressão política." Além de citar as investigacões do caso Sudam, a Transparência Internacional elogiou a implementação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Mas disse que o governo federal tem se recusado a "patrocinar programas estratégicos anti-corrupção porque isso ameaçaria integrantes da atual coalisão política". Na maioria dos casos, o governo "apenas entra em ação após os fatos o forçarem a fazê-lo". A ONG ressaltou que a LRF, em conjunto com outras iniciativas que visam o fortalecimento dos controles financeiros internos, "é parte de um conjunto de sinais muito confusos do governo brasileiro no que se refere ao combate à corrupção".

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