ONG denuncia 150 mortes nas prisões

Documento divulgado ontem critica condições desumanas, tortura e mortes no sistema carcerário da Venezuela

LONDRES, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2015 | 02h05

O relatório divulgado ontem pela Anistia Internacional (AI) ontem afirma que 150 pessoas morreram nas prisões da Venezuela no primeiro semestre do ano passado, segundo dados de organizações de direitos humanos locais. Outras sete, segundo o documento, morreram ainda sob custódia da polícia.

O relatório afirma que, apesar das reformas no sistema carcerário, as condições das prisões no país continuam precárias. Faltam cuidados médicos, comida e água potável. Não há condições ideais de higiene e a violência e a superlotação das prisões e delegacias são um sério problema.

A organização humanitária denunciou que armas de fogo e de outros tipos são rotineiramente encontradas durante as rebeliões nas prisões.

Segundo a ONG, em novembro, dois prisioneiros foram mortos e pelo menos oito ficaram feridos quando forças de segurança intervieram em um conflito dentro da prisão de San Francisco de Yare, no Estado de Miranda. Os detentos protestavam contra as terríveis condições da prisão e os maus-tratos contra eles.

No documento, a Anistia Internacional relatou a história do ex-comissário de polícia Iván Simonovis. Em setembro, após três anos e vários atrasos para transferi-lo para um hospital, uma corte lhe concedeu permissão para receber tratamento médico em prisão domiciliar. De acordo com a ONG, ele estava sofrendo de vários problemas de saúde causados pelas condições às quais vinha sendo mantido na prisão.

Ao mesmo, tempo, o Observatório Venezuelano de Prisões (OVP) - ligado à oposição no país - denunciou que 309 pessoas morreram nas prisões venezuelanas em 2014. Segundo o diretor-geral da entidade, Humberto Prado, entre 1999 e 2014, 6.472 presos morreram nos centros de detenção venezuelanos. "Nesse período, 22 mil presos sofreram alguma violência", disse Prado, segundo o jornal venezuelano El Universal.

O OVP denunciou ainda a superlotação do sistema carcerário, que tem um excedente de 32.256 reclusos.

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