ONG denuncia centros de tortura do regime de Damasco

Human Rights Watch pede que líder sírio seja indiciado por crimes contra humanidade em tribunal da ONU

GUSTAVO CHACRA , CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2012 | 03h06

A ONG Human Rights Watch acusou ontem o regime de Bashar Assad de manter ao menos 27 centros de tortura ao redor da Síria, além de dezenas de milhares de prisioneiros. No relatório de 81 páginas, são identificados os locais e os comandantes da violenta repressão contra opositores, que teria matado crianças e idosos.

"As agências de inteligência estão controlando um arquipélago de centros de tortura espalhados pelo país. Ao publicarmos suas localizações, descrevendo os métodos de tortura e identificando os responsáveis, esperamos que eles respondam por estes crimes horrendos", disse Ole Solvang, da organização de defesa dos direitos humanos.

Segundo a entidade, as más condições de detenção e as torturas documentadas claramente indicam uma política de Estado, no que constitui crime contra a humanidade. Na avaliação do Human Rights Watch, o Conselho de Segurança da ONU deveria encaminhar o caso para o Tribunal Penal Internacional.

A Rússia e a China possuem poder de veto no órgão decisório máximo das Nações Unidas e já indicaram em outras ocasiões que não aceitam que o caso seja levado ao TPI. Os EUA, que elogiaram o relatório de ontem, também no passado ignoraram pedidos de encaminhamento para o TPI de casos envolvendo seus aliados.

A publicação do HRW traz vídeos e uma série de gráficos multimídia para tentar chamar a atenção para as violações dos direitos humanos por parte das forças de Damasco. Ao todo, mais de 200 pessoas, entre ex-detidos e desertores, foram entrevistadas pelo Human Rights Watch para a elaboração do relatório.

"Eles me agrediam com cassetetes, socos e chutes. Outras pessoas ao meu lado também apanhavam, incluindo uma criança de 8 anos", disse uma vítima que esteve detida em Alepo. Segundo outra, de Idlib, "eles pinçaram os pelos da minha barba e arrancaram minhas unhas".

Há relatos de violações sexuais, choques elétricos e queimaduras com ácido ao longo das 81 páginas do documento do HRW. "Eles colocaram dois cabos em uma bateria de carro e deram choques elétricos nas minhas partes genitais", afirmou outro ex-detido. O governo sírio não respondeu à acusações.

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