EFE
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ONG denuncia compra de meios críticos a Maduro na Venezuela

Segundo levantamento, em 5 anos, 25 veículos de comunicação foram vendidos a empresários ligados ao governo venezuelano

O Estado de S. Paulo

09 Março 2015 | 20h41

CARACAS -A ONG venezuelana Instituto Prensa y Sociedad (Ipys), que monitora a liberdade de imprensa no país, publicou um estudo sobre a compra de meios de comunicação críticos ao chavismo por aliados do governo e a censura imposta a essas publicações. O levantamento indica que 25 empresas de comunicação foram compradas nessas condições nos últimos cinco anos. 

“Essa reportagem mostra que na Venezuela há uma estratégia definida e claramente executada pelo governo para conseguir mudar as linhas editoriais e informativas”, afirmou a entidade por meio de nota. “Em segundo lugar, fica claro que existem dúvidas sobre quem são os novos donos desses veículos, derivados de seus vínculos com o chavismo.”

Os casos mais notórios são da emissora de TV Globovisión e do jornal El Universal. Segundo o levantamento, apenas no jornal caraquenho, ao menos 30 colunistas foram demitidos depois de a empresa mudar de dono. A família Mata, que estava no comando da publicação havia 105 anos, foi substituída por uma empresa com sede no Panamá ligada aos empresários Carlos Odín Velazco Cuello, Jesús Abreu Anselmi e Eduardo López de la Osa. 

As mudanças no jornal começaram com a demissão dos colunistas, a maioria crítica ao governo do presidente Nicolás Maduro. Segundo o estudo do Ipys, os jornalistas demitidos foram informados de que o jornal passava por um processo de reestruturação. 

A partir de meados do ano passado, a interferência denunciada pela ONG passou para o conteúdo editorial. De acordo com o Ipys, o primeiro caso de censura ocorreu em uma reportagem sobre uma paralisação promovida por sindicatos. 

“Disseram que queriam um jornal mais equilibrado e haveria mudanças na linha editorial”, disse o jornalista Victor Salmerón, que trabalhava na editoria de economia. “Falaram que o país queria propostas e não diagnósticos.”

Também foram incluídos no levantamento formulado pelo Ipys os casos dos jornais Últimas Notícias e El Norte.

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