ONG denuncia novos projetos de expansão

Segundo o Peace Now, há projetos para 8.253 novas moradias em Jerusalém Oriental, incluindo as 1.600 já anunciadas

The Guardian, O Estadao de S.Paulo

17 de março de 2010 | 00h00

JERUSALÉM

As autoridades de Israel estão considerando construir outras 6.500 casas em Jerusalém Oriental, revelou o grupo israelense Peace Now. O anúncio de que serão construídas 1.600 casas na parte árabe de Jerusalém, feito na semana passada durante visita a Israel do vice-presidente americano, Joe Biden, constrangeu os EUA, que tentavam promover negociações indiretas entre israelenses e palestinos.

Hagit Oran, especialista em assentamentos do Peace Now, compilou uma lista de projetos de construções em Jerusalém Oriental que estão em vários estágios de aprovação. Ela contou 8.253 novas casas, incluindo as 1.600 no assentamento ultraortodoxo de Ramat Shlomo anunciadas na semana passada.

Hagit identificou dez planos em vários assentamentos de Jerusalém Oriental. O jornal israelense Yedioth Ahronoth publicou uma lista similar de 19 projetos, com 7.038 casas esperando aprovação. O jornal Haaretz disse, citando funcionários do governo, que mais de 50 mil casas ? quase todas em assentamentos judaicos ? estão em vários estágios de planejamento e aprovação. O jornal informou que os projetos de construção em Jerusalém para os próximos anos têm como foco a parte oriental da cidade, pois os planos de construção no lado oeste foram cancelados há três anos .

Israel considera Jerusalém Oriental, capturada na Guerra dos Seis Dias, em 1967, como seu território. Mas a comunidade internacional não reconhece a soberania de Israel e considera os assentamentos ilegais sob as leis internacionais.

Os palestinos, que querem Jerusalém Oriental como a capital de um futuro Estado palestino, disseram que não retomarão as negociações com Israel a menos que sejam contidas as construções nos assentamentos.

Ontem, o governo israelense reiterou que não pretende deter as construções. "Jerusalém é a capital de Israel e as construções serão mantidas como em Tel-Aviv ou em qualquer outra cidade", disse o secretário de gabinete de Israel, Zvi Hauser. "Jerusalém é uma grande cidade que tem de crescer."

Na segunda-feira, o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, ignorou as pressões dos EUA e afirmou que manterá as construções das 1.600 casas em Jerusalém Oriental. Ontem, ele declarou ao Haaretz que Israel já demonstrou "com palavras e fatos" seu compromisso com a paz, em resposta à cobrança da secretária americana de Estado, Hillary Clinton. /

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