AFP PHOTO / GEORGES OURFALIAN
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ONG denuncia possíveis ataques ilegais da Turquia contra civis na Síria

Human Rights Watch diz que ações de soldados turcos em Afrin em 21, 27 e 28 de janeiro causaram a morte de 26 civis, incluindo 17 menores de idade, e questiona medidas de proteção tomadas por Ancara; governo turco nega responsabilidade pelas baixas

O Estado de S.Paulo

23 Fevereiro 2018 | 11h59

BEITURE - As Forças Armadas da Turquia aparentemente não tomaram os cuidados necessários para evitar vítimas civis em três ataques realizados no noroeste da Síria em janeiro, nos quais 26 pessoas morreram, disse nesta sexta-feira, 23, a ONG Human Rights Watch (HRW).

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Ancara iniciou uma ofensiva em 20 de janeiro na região síria de Afrin, administrada pela formação política curda Partido da União Democrática (PYD, em curdo), relembrou a ONG em comunicado. 

Este enclave tem uma população aproximada de 323 mil pessoas, das quais 125 mil são sírios provenientes de outras regiões do país que foram deslocados pelos conflitos da guerra civil em curso há quase 7 anos, segundo dados da ONU.

A HRW investigou os ataques curdos ocorridos em Afrin em 21, 27 e 28 de janeiro, entrevistou testemunhas e analisou fotografias e imagens feitas por satélites. Essas ações deixaram 26 civis mortos, incluindo membros de duas famílias deslocadas e 17 menores de idade.

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"Parece que civis vulneráveis enfrentaram o deslocamento e a morte devido à forma como a Turquia está conduzindo a ofensiva", disse a subdiretora para Oriente Médio de HRW, Lama Fakih.

Ela destacou que "a Turquia tem a obrigação de tomar todas as precauções possíveis para evitar ferir ou matar civis e ajudar os que desejem fugir da violência".

A ONG denunciou que a fronteira sírio-turca permanece fechada para todos que tentam fazer a travessia, com exceção para casos médios de urgência.

A HRW também afirmou que se as Forças Armadas turcas não detectaram a presença de dezenas de civis nos lugares atacados nestes três dias, isso causa grande preocupação com a forma como os soldados do país verificam se há civis perto de seus alvos e se toma as medidas para minimizar baixas entre eles.

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Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), ONG com sede em Londres que monitora o conflito sírio, ao menos 112 civis morreram desde o início da ofensiva turca em Afrin. Ancara nega ter causado baixas não militares durante o primeiro mês de sua operação, denominada "Ramo de Oliveira". / EFE

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