ONG e chavismo divergem sobre casos de tortura

CARACAS - Mesmo tendo reconhecido pelo menos dois casos de tortura desde o início dos protestos antichavistas de estudantes e da oposição, os registros do governo de Nicolás Maduro não coincidem com os da principal organização não governamental de direitos humanos do país. O Foro Penal entregou na segunda-feira, 31, à Nunciatura Apostólica - missão diplomática do Vaticano -, em Caracas, documento no qual estão contabilizados 59 casos de tortura e maus tratos. Até a noite de 30 de março, a entidade havia registrado 2.028 detenções, uma média de 35 por dia.

Denise Chrispim Marin, Enviada Especial / Caracas, O Estado de S. Paulo

31 de março de 2014 | 21h32

No último fim de semana, o número de vítimas nos conflitos entre manifestantes e as forças de segurança aumentou de 37 para 39. No dia 29, o Ministério Público informou que havia dois casos de tortura em investigação. Outras 78 queixas por maus tratos estão sendo apuradas, de acordo com a procuradora-geral da República, Luísa Ortega.

O documento do Foro Penal informa que jamais a repressão a protestos públicos foi tão forte no país ao longo de quase 60 dias. Um dossiê havia sido entregue à comissão da União das Nações Sul-americanas (Unasul), durante a reunião de chanceleres do bloco, em Caracas, para promover o diálogo entre a oposição e o governo de Maduro, na semana passada. A Nunciatura se dispôs também a mediar o diálogo e recebeu a versão atualizada do texto.

"Nunca na história venezuelana houve tantos detidos em razão de manifestações como agora", afirmou Alfredo Romero, diretor executivo da organização. "O uso da força militar contra a população civil tem sido desproporcional - incluindo a violência contra crianças e idosos."

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