REUTERS/Miraflores Palace/Handout
REUTERS/Miraflores Palace/Handout

ONG pede que procuradoria investigue suposta propina paga por Maduro

Transparência Venezuela cobrou ação do Ministério Público do país após Mônica Moura, mulher do marqueteiro João Santana, afirmar em delação premiada que recebeu US$ 11 milhões em espécie das mãos do líder chavista

O Estado de S.Paulo

12 Maio 2017 | 12h22

CARACAS - A ONG Transparência Venezuela pediu nesta sexta-feira, 12, que o Ministério Público (MP) do país  investigue o presidente Nicolás Maduro pelo suposto financiamento ilegal da campanha à reeleição de Hugo Chávez, em 2012.

A organização fez o pedido depois da divulgação da delação premiada de Mônica Moura, mulher do marqueteiro João Santana, na qual ela disse ter recebido dinheiro em espécie das mãos Maduro, então chanceler venezuelano, como pagamento pelos serviços de marketing prestados na reeleição de Chávez.

"A solicitação foi feita pela organização após a divulgação da declaração (delação) de Mônica Moura, mulher do reconhecido publicitário brasileiro João Santana e responsável por idealizar a campanha 'Chávez coração do povo'", diz a ONG em nota divulgada em seu site.

A Transparência Venezuela também pediu que o MP informe o resultado da investigação anunciada em janeiro para determinar se funcionários do governo venezuelano receberam subornos da Odebrecht para a execução de obras públicas no país - em sua delação, o ex-presidente da empreiteira brasileira Marcelo Odebrecht disse de 2006 a 2015 o grupo pagou US$ 98 milhões a membros dos governos chavistas, valor inferior apenas ao ilícitos movimentado pela construtora no Brasil.

A delação. De acordo com o teor da delação de Mônica que foi homologada na quinta-feira pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou João Santana para assumir a campanha do ex-líder venezuelano.

Uma reunião em Caracas teria selado o acerto dos valores para que Santana fizesse o marketing da campanha. Segundo Mônica, Maduro estava presente no encontro e o valor acertado foi um total de US$ 35 milhões, que seriam pagos após uma parte também ser captada com as construtoras Odebrecht e Andrade Gutierrez. 

Maduro “exigiu que o recebimento da maior parte dos pagamentos referentes à campanha de reeleição fosse com recursos não declarados, sendo que os pagamentos extraoficiais seriam feitos pela Odebrecht e pela Andrade Gutierrez”, segundo o depoimento de Mônica. 

Parte do pagamento - US$ 11 milhões - teria sido feito em espécie pelo atual presidente em encontros posteriores. As reuniões, segundo Mônica, ocorriam no próprio gabinete de Maduro - na época ele era chanceler da Venezuela - e o dinheiro era entregue em pastas. A delatora não esclareceu se o dinheiro ficou todo com os envolvidos diretos na campanha ou se houve repasses para outros setores.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.