ONG pede que Saif Kadafi tenha acesso a advogado

Human Rights Watch diz que filho de ditador, preso em novembro, está em boas condições e passou por cirurgia nos dedos feridos durante captura

TRÍPOLI, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2011 | 03h02

A organização humanitária Human Rights Watch (HRW) pediu ontem às autoridades líbias que garantam a Saif al-Islam Kadafi, filho do ex-líder Muamar Kadafi, o acesso imediato a um advogado. A HRW visitou Saif no dia 18 no local onde está detido, na cidade de Zintan, cerca de 180 quilômetros a sudoeste de Trípoli, graças à autorização concedida pelo general Abdelaziz al- Hasadi, responsável pelo caso.

"As autoridades líbias mantêm Saif al-Islam em boas condições materiais, mas lhe devem permitir o acesso imediato de um advogado", disse o grupo em um comunicado. Saif é o mais importante prisioneiro do antigo regime de Kadafi.

Fred Abrahams, conselheiro especial da HRW, conversou por meia hora com Saif, capturado em Zintan em 19 de novembro quando tentava fugir da Líbia. Saif está sendo guardado por ex-rebeldes, que querem que ele seja julgado por um Judiciário formado pelo novo governo. O Tribunal Penal Internacional emitiu uma ordem de captura contra Saif al-Islam por crimes contra a humanidade.

"Saif afirma que o mantêm bem alimentado e com cuidados médicos. Não tem reclamações sobre as condições materiais de sua detenção. Sua preocupação principal é a falta de acesso a sua família e a um advogado para defender sua causa", disse a HRW em um comunicado.

As autoridades líbias dizem que ele não recebeu nenhuma visita por questões de segurança.

Abrahams disse que, na conversa com Saif, percebeu que ele "não entendeu que não é mais uma das pessoas mais importantes do país".

O funcionário acrescentou que o filho de Kadafi foi submetido a uma cirurgia em três dedos da mão direita que foram feridos, segundo ele disse, durante um ataque da Otan que provocou a morte de 26 de seus ac0mpanhantes.

Desbloqueio. A União Europeia decidiu ontem descongelar todos os fundos e bens do Banco Central da Líbia e do Banco Árabe-Líbio no bloco.

Em um comunicado, a UE disse que também descongelou parcialmente os bens da Autoridade de Investimentos Líbia e do Portfólio de Investimentos Líbia-África, que tinham sido congelados em 16 de setembro, antes da queda de Kadafi.

A decisão de descongelar os fundos foi tomada para dar apoio à recuperação da economia da Líbia e ajudar o novo governo líbio, disse o bloco europeu em um comunicado.

A União Europeia impôs amplas sanções contra o governo do ditador líbio em protesto contra a violenta repressão aos manifestantes que protestavam contra seu governo, que depois acabaram conseguindo afastá-lo do poder. / AFP e REUTERS

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