ONG pede supervisão para auxílio às vítimas em Mianmar

HRW afirma que ajuda deve chegar diretamente às 2,4 milhões de vítimas para não ser manipulada pelo governo

Efe,

24 de julho de 2008 | 04h36

A ONG Human Rights Watch (HRW) pediu nesta quinta-feira, 24, a criação de um organismo independente que supervisione a entrega de ajuda aos desabrigados pelo ciclone Nargis, que deixou 138 mil mortos e desaparecidos em sua passagem por Mianmar (antiga Birmânia) em maio. A organização defensora dos direitos humanos com sede em Nova York assinalou em comunicado que os países doadores deveriam fiscalizar para que a ajuda chegue diretamente às 2,4 milhões de vítimas do ciclone e não seja manipulada pelo "repressivo governo" de Mianmar. No sábado passado, a Associação de Países do Sudeste Asiático (Asean), a ONU e a Junta Militar birmanesa calcularam que o custo da assistência humanitária e reconstrução ascendia a US$ 1 bilhão. "O mundo reagiu de maneira admirável no momento de ajudar as vítimas do ciclone, e é importante uma assistência contínua para ajudar a reconstruir as comunidades. Mas essa ajuda deve ser feita dentro dos padrões da ONU, o que não está sendo cumprido pelo regime militar de Mianmar", afirmou Brad Adams, diretor da HRW para a Ásia. Adams disse que, apesar das promessas feitas à ONU, a Junta Militar dificulta o acesso às áreas mais devastadas do delta do Rio Irrawaddy, e está obrigando as vítimas a voltar a seus lares destruídos, além de deter dezenas de pessoas por distribuir ajuda sem autorização. A HRW pede aos países doadores que supervisionem os trabalhos de reconstrução para garantir que as autoridades birmanesas respeitem os direitos humanos de seus cidadãos e das minorias étnicas, e para evitar que se cometam abusos como os trabalhos forçados e o enriquecimento de companhias aliadas ao regime.

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