ONG tenta ampliar emissão de documentos

Grupos da Pensilvânia incentivam pessoas a conseguir papéis para votar; 'todos têm esse direito', afirma ativista

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2012 | 03h06

Na entrada do Centro de Emissão de Carteira de Motorista da Chinatown da Filadélfia, Betty Jones passa o dia distribuindo formulários e ensinando as pessoas que chegam a preenchê-los. Voluntária da organização Community Voters Project há três meses, sua missão é não deixar ninguém que se aproxime perder a chance de emitir o documento de identidade, ao custo de US$ 13,50, para poder votar em novembro. "Todo mundo têm esse direito", repete Jessy.

Em tempos normais, o centro tem como alvo os orientais residentes na vizinhança em busca da carteira de motorista, o principal documento de identidade nos EUA. No dia 19, a sala de espera para cerca de 250 pessoas estava cheia de negros e hispânicos.

Sobretudo, de eleitores prontos para votar no presidente dos EUA, Barack Obama. Desempregados, Denise Marcel, de 42 anos, e Deandro Pittman, de 26, eram dois dos negros que esperavam com resignação.

"É muito importante, para mim, votar de novo em Obama. Eu o apoio porque ele nos apoia", explicou Denise, mãe de seis crianças que perdeu seu emprego no setor de estoque de um supermercado no ano passado.

Ela se referia à preservação, pelo governo Obama, do seguro-desemprego e do Programa Food Stamp, a ajuda em dinheiro do governo a famílias carentes para comprarem alimentos. Ambos os programas têm sido atacados especialmente pelo Partido Republicano.

"Não estou feliz com o jeito que as coisas estão. Mas não culpo Obama. O culpado é o Congresso", disse Pittman, há um mês à procura emprego como cozinheiro.

O também negro Darrell Natiff, de 23 anos, perdia naquela manhã parte de sua jornada de trabalho e mostrava-se indignado com a nova exigência legal da Pensilvânia para o eleitor.

Nattiff recebe US$ 10 por hora em um supermercado e US$ 9,50 em uma academia de ginástica. Ao contrário de Pittman, sabia quem era Mitt Romney, candidato republicano e rival de Obama na eleição, e diz ter votado em George W. Bush em 2004.

"Eu sou eleitor independente e acho que o melhor deve vencer. Este ano, vou votar em Obama. Como se pode esperar que Romney nos ajude se ele é um multimilionário que mandou nossos empregos para fora do país?", questionou.

O barman Jessy Nassif, de 19 anos, era uma das raras pessoas de olhos claros da sala de espera. Havia chegado duas horas antes e se distraía tricotando um cachecol. Homossexual, ele deixou várias cidades americanas por causa da homofobia e vive na Filadélfia há três meses. Além de precisar de uma carteira de identidade, considerava oportuno se registrar como eleitor na cidade para poder votar em novembro - sua primeira eleição presidencial. O prazo de registro termina 30 dias antes.

"Eu não gosto de Obama. Acho que ele demorou muito para apoiar o casamento gay, tem sido conservador na área econômica e a favor da produção de transgênicos", afirma. "Mas a eleição de Romney seria terrível", completou. Ele votará para a médica Jill Stein, do Partido Verde. / D. C. M.

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