ONGs alertam para falta de assistência médica no Haiti

Muitas pessoas estão morrendo todos os dias no Haiti, pela falta de medicamentos e assistência, após o violento terremoto no dia 12. O alerta foi feito por funcionários de entidades humanitárias.

AE, Agencia Estado

21 de janeiro de 2010 | 13h43

Itens como água e alimentos começaram a chegar às vítimas. Além disso, um navio dos Estados Unidos equipado com um hospital começou a ajudar a tratar os pacientes. Apesar disso, muitas pessoas ainda precisaram de medicamentos e essa carência tem resultado em mortes todos os dias. Milhares de feridos, alguns com gravidade, têm esperado às portas de qualquer hospital ou clínica improvisada, implorando por tratamento.

Dentro dos hospitais, dezenas de pacientes se recuperavam de cirurgias em leitos improvisados. Muitos sofreram amputações e há vários relatos de cirurgias desse tipo sem anestesia no país. Os visitantes tinham que usar máscaras, para não sentir o forte cheiro nem sofrer com a poeira no ambiente.

Mais de mil pessoas esperam por uma cirurgia só em um dos hospitais, contou Andrew Marx, porta-voz do Partners in Health, grupo de auxílio sediado nos EUA, que atua no Haiti há duas décadas. Na terça-feira, o Partners in Health informou em seu site que até 20 mil pessoas podem estar morrendo todos os dias no Haiti, com infecções como gangrena e septicemia. O grupo alertou que pode morrer tanta gente nos dias seguintes ao terremoto quanto as vítimas do próprio tremor.

Exagero

A ministra das Comunicações do Haiti, Marie-Laurence Jocelyn Lassegue, negou que muitos haitianos estejam morrendo todos os dias. Ela lembrou que já há sete centros médicos em funcionamento e o hospital geral está operando. Questionada sobre a estimativa de 20 mil mortos por dia, ela disse que o número era "muito alto". O subsecretário-geral da ONU John Holmes também considerou o número exagerado.

O grupo Médicos Sem Fronteiras (MSF), com mais de 700 funcionários atuando em vários hospitais do Haiti, afirmou que um dos grandes problemas é a falta de habilidade de muitos agentes para tratar pacientes com a chamada "síndrome do esmagamento". Esse problema ocorre quando o tecido do músculo danificado libera toxinas na corrente sanguínea, capazes de causar falência renal e matar. Essa condição é tratada com máquinas de hemodiálise. Duas dessas máquinas estavam em aviões de carga do MSF, que foram impedidos três vezes de chegar ao país no domingo pelo aeroporto internacional de Porto Príncipe.

O Programa Mundial de Alimentos da ONU também alertou que não está chegando comida suficiente para os 3 milhões de haitianos passando necessidades. Além da fome e das doenças, pode haver mortes por água contaminada, choques nas linhas elétricas danificadas e acidentes nos escombros.

As estimativas sobre o número de mortos variam bastante. O governo haitiano afirma que entre 100 mil e 200 mil pessoas devem ter morrido na tragédia, mas autoridades locais já disseram que esse número poderia ser inclusive maior.

As informações são da Dow Jones.

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