ONGs celebram decisão, mas criticam falta de metas

Ausência de definição para o segundo período do Protocolo de Kyoto é o ponto mais sensível do texto de Cancún

Afra Balazina, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2010 | 00h00

Os governos presentes em Cancún escolheram a esperança em vez do medo e colocaram novamente os blocos para construir um acordo global para combater as mudanças climáticas. Essa é a avaliação da ONG ambientalista Greenpeace. "Pela primeira vez em anos, governos colocaram de lado algumas de suas grandes diferenças e se comprometeram a alcançar um acordo climático", disse a entidade.

Mas a organização também tem críticas. Considera que poderia ter sido alcançado um resultado muito melhor se não fosse a influência negativa de Japão e Rússia - que não quiseram se comprometer com o segundo período de compromisso do Protocolo de Kyoto - e dos Estados Unidos, que foram para o México com "escassez de compromissos" para cortar suas emissões de gases-estufa.

A WWF avalia que os países saem de Cancún com um renovado senso de boa vontade e de propósito. "Apesar de não terem sido capazes de decidir sobre um segundo período de compromisso, um processo foi iniciado para fazer isso em Durban no próximo ano (na COP-17)", disse o ambientalista Gordon Shepard.

A ONG também criticou a falta de esforço dos EUA e exigiu que em 2011 o país embarque num processo de redução das emissões em direção a uma economia verde. "Os EUA precisam vir a Durban preparados para fazer parte de um acordo legalmente vinculante", disse Shepard.

Na opinião de Jeremy Hobbs, diretor da Oxfam Internacional, "os delegados ressuscitaram as negociações da ONU e as colocaram no caminho de uma franca recuperação". "Hoje há esperança na implementação de ações concretas para ajudar milhões de pessoas pobres que já lutam para sobreviver aos efeitos da mudança climática", disse.

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