ONGs criticam ‘desinteresse’ do Brasil pela reunião na Suíça

Antes visto na ONU como possível mediador da crise síria, País terá delegação de 2º escalão após Dilma vetar ida de Figueiredo

Jamil Chade e Luciano Bottini Filho - O Estado de S. Paulo,

21 de janeiro de 2014 | 23h33

GENEBRA - O Brasil foi de possível mediador a coadjuvante na cúpula de hoje sobre a crise síria, da qual participa com uma delegação de segundo escalão e sem nenhum papel específico. ONGs criticaram o "desinteresse" brasileiro. Nenhum encontro privado está sendo organizado e o Brasil deve discursar apenas depois dos principais atores. Segundo um diplomata brasileiro que chefia uma das divisões do Itamaraty, a conferência de hoje é "samba antes da hora".

A participação do chanceler brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo Machado, foi cancelada de última hora pelo Palácio do Planalto, que optou por enviar o secretário-geral do Itamaraty, Eduardo dos Santos. O chanceler viajará com a presidente Dilma Rousseff para o Fórum Econômico de Davos.

Inicialmente, o chanceler russo, Serguei Lavrov, insistiu que o Brasil e os demais países do Brics estivessem presentes. Ao lado de indianos e sul-africanos, o Brasil chegou a enviar uma delegação para uma conversa com o presidente Bashar Assad, no início da crise síria. Tendo uma comunidade síria de peso e canais de comunicação tanto com Damasco quanto com o Ocidente, não se excluía na ONU uma participação ativa do Brasil na mediação.

O Brasil está presente apenas para "apoiar o projeto e legitimar os esforços internacionais", segundo diplomatas do País. A posição do Itamaraty é defender a ideia de que apenas um processo político pode acabar com a guerra e uma solução precisa partir dos sírios.

A ONG Conectas criticou a "timidez" do governo brasileiro, que anunciou a doação de US$ 300 mil aos sírios numa conferência no dia 15, no Kuwait. "O valor é o menor entre todos os aportes prometidos pelos países que estiveram no Kuwait e participarão da reunião de Montreux. O México, por exemplo, doará dez vezes mais que o Brasil", disse Camila Asano, da Conectas.

A Human Rights Watch (HRW), que ontem divulgou em São Paulo seu relatório anual sobre a situação em mais de 90 países, também reclamou da "trajetória inconstante" do Brasil diante da tragédia síria.

Para a entidade, apesar de uma "emergente liderança" do País em temas de Direitos Humanos, o Brasil erra ao não apoiar um julgamento do governo sírio por crimes de guerra.

"Quando o Brasil fala, repercute. Quando ele se omite, manda sinais negativos quanto ao seu comprometimento com os direitos humanos", afirmou a diretora da ONG para o Brasil, Maria Laura Canineu.

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