ONGs denunciam unilateralismo dos EUA

A postura unilateral adotada por Washington no cenário político internacional está destruindo os esforços de governos de todo o mundo em negociar acordos sobre meio ambiente, desarmamento, direitos humanos e saúde. Essa é a principal conclusão de um relatório lançado nesta semana, em Genebra, por um grupo de 75 ONGs e que aponta iniciativas da Casa Branca que levaram negociações de tratados ao fracasso.Segundo o documento, a "diplomacia de caubói" dos Estados Unidos já fez várias vítimas. Uma delas é o Protocolo de Kyoto, sobre a emissão de gases poluentes. Em março de 2001, o presidente George W. Bush anunciou que o tratado poderia afetar o número de empregos nos Estados Unidos e adiou, de forma indefinida, a ratificação do protocolo. Sem a adesão da Casa Branca, outros países não estão dispostos a se comprometerem.No setor de desarmamento, os Estados Unidos se recusaram a assinar um protocolo que criaria uma entidade para fiscalizar a existência de armas biológicas em vários países. Segundo a Casa Branca, o acordo não era eficiente para atingir seu objetivo. Nos corredores da ONU, porém, a informação era de que os norte-americanos não estariam dispostos a serem inspecionados por agentes internacionais.Outro acordo que é prejudicado por Washington é a Convenção sobre os Direitos da Criança. Não obstante o fato de ter sido baseado em vários pontos da Constituição americana, o tratado não foi assinado pelos Estados Unidos em 1989. Apesar da insistência de vários grupos, a Casa Branca se recusa a reconsiderar o assunto. Além dos norte-americanos, o único país que ainda não aderiu ao acordo foi a Somália.Atualmente, as ONGs temem que os Estados Unidos levem mais um acordo ao fracasso. Trata-se da Convenção sobre o Uso do Tabaco, que está sendo negociada em Genebra. As ONGs alertam que os negociadores de Washington estariam dispostos a não assinar a convenção, se o texto exigir medidas duras contra a propaganda de cigarro."Existe um padrão na política externa americana de tentar minimizar todos os efeitos de acordos internacionais e, se possível, evitar que sequer entrem em vigor", conclui o estudo.

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