ONGs falam em fraude na eleição egípcia

Denúncias sugerem que Mubarak, há 29 anos no poder, foi beneficiado por 'ambiente obscuro'

AP e REUTERS, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2010 | 00h00

CAIRO

Observadores independentes e ONGs internacionais afirmaram ontem que as eleições parlamentares do Egito, realizadas no domingo, foram manipuladas para favorecer o Partido Nacional Democrático (PND), do presidente Hosni Mubarak, que está há 29 anos no poder.

"Há provas suficientes para comprovar a fraude eleitoral", disse Magdy Abdel Hamid, presidente de uma organização que trabalha com desenvolvimento e participação social.

Representantes de várias outras organizações, como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch (HRW), também denunciaram em entrevistas coletivas a falta de transparência e a baixa participação eleitoral - entre 10% e 15%. Observadores fizeram referência ao "ambiente eleitoral obscuro", enquanto centenas de manifestantes protestavam nas ruas do Cairo.

"A ausência de transparência faz com que aumentem as suspeitas da falta de imparcialidade", afirmou Hafez Abu Saad, presidente da Organização Egípcia para os Direitos Humanos.

Além disso, os representantes das ONGs denunciaram que houve "violações flagrantes" aos direitos eleitorais e inúmeros atos de violência contra candidatos, militantes e eleitores.

Entre outras irregularidades, foram denunciadas medidas tomadas pela polícia egípcia para impedir a entrada de observadores eleitorais independentes e representantes de muitos candidatos da oposição nos locais de votação.

Membros do partido Irmandade Muçulmana, a maior força opositora do Egito, denunciaram a prisão de pelo menos cem membros da legenda durante as eleições. As ONGs também revelaram a existência de cédulas eleitorais marcadas em favor de candidatos do PND. No dia 5, haverá um segundo turno nas localidades nas quais nenhum dos 507 candidatos ao Parlamento obteve maioria absoluta.

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