ONGs pedem a País que mude voto sobre Coreia

Governos votarão na semana que vem resolução ampliando mandato do relator especial para Pyongyang

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

20 de março de 2010 | 00h00

Relatores da ONU e ONGs pressionam o Brasil a mudar sua posição no campo dos direitos humanos e representantes do Itamaraty já indicam que Brasília está considerando rever sua posição em relação à Coreia do Norte.

Na quinta-feira, o país asiático deixou claro que não quer cooperar com as Nações Unidas. Na semana que vem, governos votarão uma resolução ampliando o mandato de um relator especial para investigar a Coreia do Norte, algo que o Brasil rejeitou apoiar em 2009 acreditando que os norte-coreano poderiam cooperar.

Mas, na quinta-feira, a estratégia brasileira de promover o diálogo com regimes autoritários sofreu um revés. O regime de Kim Jong-il não aceitou nenhuma das propostas do Brasil para melhorar sua situação dos direitos humanos nem as de nenhum outro governo.

O Itamaraty apostava na cooperação como forma de aproximar países e não o de manter relatores para investigar Pyongyang, como querem americanos, europeus e japoneses.

Agora, o governo não descarta a possibilidade de rever sua posição. "Espero que, com o ocorrido na ONU, países se deem conta de que precisa haver um relator independente no caso da Coreia do Norte e a ONU precisa ter uma resposta à situação", afirmou ao Estado o relator da ONU para a situação no país asiático, Vitit Muntarbhorn.

"Respeito a posição do Brasil. Mas a situação norte-coreana é cada vez mais sombria. Os problemas aumentaram", afirmou. Apesar de estar no posto desde 2004, Muntarbhorn nunca foi autorizado pelo regime a entrar na Coreia do Norte para fazer sua investigação.

A Anistia Internacional disse que fará lobby nos próximos dias para garantir que o Brasil mude seu voto e apoie a ampliação do mandato do relator, proposta que foi apresentada ontem pelo Japão. A Human Rights Watch indicou que fará o mesmo.

Avaliação. A delegação brasileira já havia indicado às ONGs que avaliaria como votaria na nova resolução dependendo do que ocorresse na quinta-feira. Se essa lógica for mantida, a esperança das ONGs é a de que o Brasil possa mudar sua posição.

Uma série de ONGs aproveitaram para mandar seu recado ao Brasil. "Ao não aceitar as propostas explicitamente, a Coreia do Norte mostrou que não está empenhada em colaborar nem em resolver as violações de direitos humanos", afirmou Lucia Nader, da entidade Conectas.

"Fica claro que os votos do Brasil devem ter como base uma análise profunda da situação dos direitos humanos em cada país", disse.

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