Reuters/arquivo
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ONGs pedem investigação internacional de Exército nigeriano

Em carta ao TPI, entidades denunciam violência contra civis em repressão a militantes no Delta do rio Níger

20 de maio de 2009 | 17h33

Grupos de direitos civis e de defesa ao meio ambiente pediram nesta quarta-feira, 20, uma investigação ao Tribunal Penal Internacional (TPI) para punir o Exército nigeriano pela violência no Delta do rio Níger. Maior produtora de petróleo da África, a região possui refinarias internacionais que são constantemente atacadas por militantes do Movimento pela Emancipação do Delta do Níger (MEND), e sofre com as ações das forças do governo, que tenta combatê-los. As entidades denunciam uma "sistemática e ampla campanha de violência contra nossos cidadãos pelas Forças Armadas do governo da Nigéria."

 

"Nós, dos direitos humanos e comunidade midiática independente, estamos preocupados. O Exército não está permitindo acesso a organização humanitárias, grupos de direitos civis ou jornalistas", disse Sandy Cioffi, diretor do grupo Sweet Crude, em carta enviada ao promotor do TPI Luis Moreno Ocampo e repassada à imprensa.

 

Na mensagem, dezenas de organizações humanitárias acusam a Força Tarefa Conjunta (JTF, na sigla em inglês) do Exército da Nigéria de um bombardeio realizado no último dia 13, por "água, terra e ar" contra os rebeldes do MEND na região de Gbaramatu, que teria obrigado dezenas de civis a fugir de suas casas e vilarejos.

 

"Eles estão se escondendo em moitas e não têm comida ou remédios adequados", destacam as entidades na mensagem, acrescentando que "os ataques por terra e ar coordenados pela JTF" e a falta de suprimentos e abrigos para os civis continuam. "O Exército da Nigéria precisa ser alertado de que não pode agir com impunidade", conclui a nota.

 

O MEND surgiu há cerca de três anos, pedindo mais recursos do setor petrolífero para a região sul, onde a matéria-prima (commodity) é extraída. Os manifestantes focaram suas ações principalmente na infraestrutura petrolífera, tentando aumentar a pressão sobre o governo, que responde com ações militares.

 

Segundo a agência Dow Jones, além dos ataques contra as refinarias, rebeldes do MEND e de outros grupos militantes já sequestraram na região mais de 250 pessoas, entre nigerianos e estrangeiros, desde fevereiro de 2006. A violência reduziu a produção de petróleo do país em um quinto nos últimos três anos.

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