ONGs se põem como "escudos humanos" para Arafat

Ativistas de ONGs e da organização Via Campesina, à qual o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) é ligado, decidiram virar escudo do líder palestino Yasser Arafat, que está desde sexta-feira confinado em seu QG na cidade de Ramallah, cercado por tropas israelenses. A presença dos estrangeiros, como o brasileiro Mário Lill, do MST, visa a inibir qualquer ataque do exército israelense contra o presidente da Autoridade Palestina."Devemos ficar aqui até se encontrar uma solução pacífica e negociada para o fim dessa guerra", avisou Lill, por telefone, a jornalistas. Conforme o líder gaúcho do MST, existem mais 35 estrangeiros - bascos (espanhóis), alemães, suíços, belgas, franceses e italianos - ao lado de Arafat e seus guarda-costas.Eles chegaram ao QG da Autoridade Palestina no domingo, para uma audiência que estava previamente agendada com Arafat, e driblaram os tanques para entrar no local. "Os soldados atiraram no chão e atiraram para o ar, mas nós seguimos a marcha e entramos pela porta da frente do quartel", disse o brasileiro. O ativista José Bové e outros 11 franceses foram presos na saída do encontro, enquanto Lill e outros integrantes da Via Campesina e ONGs solidárias aos palestinos permaneceram no local."Se eu sair para a rua aqui, eles atiram ou me prendem", afirmou o líder do MST. Segundo ele, a água potável e a comida estão quase no final, e a luz é mantida desligada, devido ao temor da ação de franco-atiradores. Lill caracterizou a situação vivida no território palestino como de "genocídio" e afirmou que ambulâncias e médicos são impedidos pelo Exército israelense de circular e atender palestinos feridos.Hoje os ativistas estrangeiros, segundo seus porta-vozes em Ramallah, fizeram contato com as embaixadas para comunicar onde e como estavam. Segundo o presidente da ONG Cizimed, Michel Flament, alguns chegaram a pedir a presença dos cônsules estrangeiros para auxiliar na negociação com as autoridades israelenses. Apesar das notícias das agências internacionais e da imprensa brasileira, o Itamaraty ainda não confirmou oficialmente o paradeiro de Mário Lill. O Ministério das Relações Exteriores e a embaixada em Tel-Aviv receberam apenas informações desencontradas sobre o brasileiro - algumas dando conta de que ele estava preso, o que não era verdade. A reportagem do Estado ligou às 14h30 de hoje para a embaixada brasileira, mas apenas a secretária eletrônica atendeu a chamada.

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