ONU acusa Estado Islâmico de crimes contra a humanidade

Para entidade, Estado Islâmico está promovendo limpeza étnica e religiosa no Iraque e comete crimes como estupro e execuções

Jamil Chade, Correspondente

25 de agosto de 2014 | 08h21

GENEBRA - Militantes do Estado Islâmico estão cometendo "crimes contra a humanidade" e promovendo "limpeza étnica e religiosa" no Iraque. O alerta é da ONU que, em uma declaração nesta manhã em Genebra, acusou o grupo que atua no Iraque e Síria de recrutar menores de idade para lutar e de executar centenas de pessoas inocentes.  

Para a ONU, o grupo promove uma violação sistemática e generalizada dos direitos humanos, incluindo assassinados, conversão forçada, abuso sexual, tráfico de pessoas, sequestros e destruição de locais sagrados. A ONU também os acusa de atacar cristão e outras religiões. 

"Eles atacam homens, mulheres e crianças com base em sua filiação ética e religiosa", alertou a Alta Comissária da ONU para Direitos Humanos, Navi Pillay. "Tais perseguições seriam crimes contra a humanidade." 

Na região de Nínive, a ONU alerta que a população da minoria yazidi foi "praticamente toda assassinada".  2,5 mil pessoas fugiriam e outros que concordaram em se converter ao Islã estão sendo mantidos em prisões. "Aqueles homens que se recusam a se converter estão sendo executados, enquanto suas mulheres e filhos são transformados em escravos", alertou a ONU. 

Meninas e mulheres estão servindo como escravas sexuais e o número de estupros é alarmante. Meninos de 15 anos sequestrados estão sendo obrigados a lutar e são colocados justamente na linha de frente dos confrontos, como espécie de escudos. Em diversas cidades, milhares estão sendo executados, sempre com base em sua filiação religiosa. 

Na última sexta, dezenas de sunitas foram executados enquanto rezavam em uma mesquita. "Tais mortes à sangue frio e sistemáticas, depois de separar grupos por filiação religiosa, são crimes de guerra e crimes contra a humanidade", declarou Pillay. 

A entidade pediu para que a comunidade internacional garanta que os responsáveis por tais atos sejam processados. A ONU ainda apela para que a comunidade internacional preste assistência humanitária aos grupos que conseguiram escapar. 

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