Sergey Ponomarev/The New York Times
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ONU acusa Mianmar de promover 'limpeza étnica'

Segundo investigação publicada pelo Alto Comissariado da organização para Direitos Humanos, a minoria muçulmana tem sido alvo de campanha de violência e expulsão

Jamil Chade, correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

03 Fevereiro 2017 | 09h07

GENEBRA - As atrocidades cometidas por forças de ordem do governo de Mianmar contra os rohingya, a minoria muçulmana do país, são denunciadas pela ONU como “limpeza étnica”. Uma investigação publicada nesta sexta-feira, 3, em Genebra pelo Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos aponta que atos de “deslocamentos forçados de um grupo religioso como consequências de atos de violência, como assassinatos, tortura, detenção arbitrária e violência sexual foram descritos como limpeza étnica”.

Para chegar a essa constatação, a ONU realizou mais de 200 entrevistas com vítimas e concluiu que se trata de uma “política designada por um grupo étnico e religioso de expulsar de uma área outros grupos com métodos inspirados no terrorismo”. 

Por gerações, os rohingyas viveram na região birmana de Rakhine. Mas o governo central não os reconhece como nacionais, e espera que eles se limitem ao território de Bangladesh. 

Desde meados de 2016, as autoridades em Mianmar iniciaram uma campanha contra o grupo, acusando-os de “terrorismo”. Pelo menos 80 mil pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas, lotando campos de refugiados do outro lado da fronteira, em Bangladesh. 

A onda de violência começou depois de dois ataques terroristas que mataram dez agentes do governo. Para a ONU, porém, o problema é que as forças de ordem estão “fazendo a comunidade toda pagar pelos atos, e não apenas aos culpados”, que seriam de uma minoria radical. 

A ONU constatou o “assassinato de bebês, crianças, mulheres, idosos, disparos contra aqueles que tentavam fugir e povoados inteiros sendo incendiados”. “Isso demonstra o menosprezo total das forças de segurança do país em relação à vida dessas pessoas”, indicou o relatório. 

A organização também confirmou que os ataques são “generalizados e sistemáticos”, o que daria o caráter de uma limpeza étnica e um crime contra a humanidade. 

Aos investigadores, as vítimas relataram como as agressões eram acompanhadas por uma violência contra sua religião. Enquanto pessoas eram mortas, os agentes anunciariam que queriam “erradicar o Islã” do país.

Para a ONU, existe uma “política calculada do terror”, que inclui “obrigar as pessoas a abandonarem suas cidades, a destruição completa de povoados e o confisco de bens”. 

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