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ONU acusa Síria de colocar minas em fronteiras

Objetivo de Damasco seria impedir que a população fuja da onda de repressão

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA , O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2011 | 03h07

GENEBRA - A ONU acusa o governo da Síria de instalar minas terrestres nas fronteiras do país com o Líbano e a Turquia. O objetivo seria impedir que a população fuja da violência e da repressão do regime de Bashar Assad, que teria orientado soldados a atirar em qualquer um que tente cruzar os limites do território sírio.

Ontem, os governos dos EUA e de países da Europa conseguiram reunir apoio para convocar uma reunião de emergência do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, para lidar com a crise na Síria. "Não há como evitar o assunto. Temos de lidar com essa violência", afirmou ao Estado a embaixadora dos EUA na ONU, Eileen Donahoe.

Há dois dias, a comissão independente liderada pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro indicou que a violência na Síria estaria afetando até 3 milhões de pessoas, direta e indiretamente, e afirmou que o governo de Assad cometeu crimes contra a humanidade. Cerca de 4 mil pessoas já teriam morrido e mais de 20 mil foram presas pelas forças de segurança do regime.

O número de refugiados, no entanto, é relativamente pequeno. Na Turquia, são 8 mil sírios. No Líbano, 3,5 mil. Na Jordânia, apenas mil. Para a ONU, esses números seriam indicadores de que há, de fato, um esforço de Damasco para impedir a fuga de sírios. "Essas informações são preocupantes, principalmente porque sabemos que essas pessoas tentam fugir justamente da violência", afirmou Andrej Mahecic, porta-voz do Alto-Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur).

Nos últimos meses, outros exemplos no mundo árabe mostram que a população tem optado por fugir da violência. Isso ocorreu no Egito, Tunísia e, de forma mais intensa, na Líbia, onde a guerra se prolongou por meses.

No caso da Síria, a percepção da ONU, a partir de relatos de testemunhas e dados de inteligência, é de que o governo está criando uma espécie de "prisão a céu aberto" ao fechar as fronteiras e militarizar cada uma das saídas do país.

Diante da violência contra aqueles que tentam escapar, o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, sugeriu ontem que seja criada uma espécie de zona-tampão na Síria, caso haja uma fuga em massa do país.

Em entrevista a uma TV turca, o chanceler alertou que o regime sírio não tem chances de se manter no poder com base na repressão e disse que a Turquia está pronta para " todos os cenários", incluindo uma intervenção militar. Os governos de Arábia Saudita, Bahrein e Catar pediram nos últimos dois dias que seus cidadãos deixem a Síria em razão da escalada da violência.

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