ONU acusa soldados do Congo de promover saques no país

Agências dizem que situação é 'buraco negro humanitário' e suspendem ajuda por intensificação dos combates

Agências internacionais,

11 de novembro de 2008 | 11h24

Soldados do Exército do Congo estariam promovendo "saques e atrocidades" desde a noite de segunda-feira, segundo afirmou nesta terça, 11, a Missão da ONU no país. As agências da ONU, que estão tentando ajudar a população civil que foge dos confrontos entre os militares e os rebeldes, definiram a situação no terreno como um "buraco negro humanitário".   Veja também: Human Rights defende reforço na força da ONU no Congo Histórico dos conflitos armados no Congo   "A situação é muito preocupante, a ajuda é cada vez mais necessária, e por outro lado, em algumas zonas, as ações tiveram que ser suspensas por culpa da intensificação nos combates (...), o que ocorre é um verdadeiro buraco negro humanitário", afirmou Elisabeth Byrs, porta-voz do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha). A suspensão das atividades humanitárias impede a distribuição aos deslocados internos de comida, água e material para abrigo.   O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) definiu a situação como "instável" e se mostrou especialmente preocupado com o destino de 65 mil deslocados internos que vivem nos dois campos de Kibati, devido à proximidade dos combatentes. Além disso, denunciou os constantes deslocamentos de pessoas nos arredores de Rutshuru e Kanyabayonga, "onde o acesso é impossível, devido à contínua insegurança", disse o porta-voz da instituição, Ron Redmond.   Segundo o porta-voz das forças da ONU no país, o tenente-coronel Jean-Paul Dietrich, militares das forças armadas cometem desde a noite de segunda-feira saques e atrocidades contra a população civil em Kanyabayonga, informa a AFP. A violência se estendeu progressivamente no país, afetando cidades mais ao norte.   A região de Rutshuru-Kiwanja está sem assistência humanitária desde 29 de outubro, com exceção do trabalho realizado pela Médicos Sem Fronteiras no hospital de Rutshuru. No resto da região de Kivu do Norte, onde há semanas o Exército enfrenta forças rebeldes tutsis, "a situação se mantém um pouco mais calma, o que gera o temor de um aumento dos combates", acrescentou Byrs.   O Programa Mundial de Alimentos (PMA) se mostrou "absolutamente preocupado" com a falta de acesso a diversas zonas do país, e lembrou que, para enfrentar a catástrofe humana nos próximos cinco meses, são necessários US$ 61 milhões. Calcula-se que há mais de 1 milhão de deslocados internos no nordeste do país. Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), a maior preocupação é que se propaguem os casos de cólera, que já começam a fazer estragos entre os campos de refugiados, já que não têm acesso a água potável.   O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) não só está insistindo na luta contra o cólera, mas iniciou uma campanha de vacinação de menores contra o sarampo. As doenças contagiosas, como o cólera, o sarampo, a febre amarela e a tuberculose, são freqüentes no país, que conta com um dos níveis mais altos do mundo de mortes materno-infantis. Além disso, o Unicef especificou que, por enquanto, não foram detectados novos movimentos de recrutamento infantil, após as denúncias da semana passada.

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