ONU acusa Sri Lanka de recrutar crianças para conflito

As Nações Unidas acusaram nesta segunda-feira o Exército do Sri Lanka de ajudar um grupo armado a recrutar crianças como combatentes contra os rebeldes separatistas Tigres Tâmeis. As Nações Unidas afirmaram em declaração que "foram encontradas fortes e críveis evidências de que certos elementos das forças de segurança do governo estão apoiando e às vezes participando dos seqüestros e recrutamento forçado de crianças pela facção Karuna". Um grupo que se separou dos Tigres Tâmeis em 2004, e que se autodenominou "Facção Karuna", em homenagem ao seu líder. A ONU afirma que o grupo seqüestrou 135 crianças desde maio no distrito de Batticaloa, com "a evidência de que essa tendência (de seqüestrar crianças) está se acelerando". "Com base na evidência como um todo, a missão concluiu que algumas forças do governo estão participando ativamente nesses atos criminosos." Na mesma declaração, a ONU também afirmou que os rebeldes dos Tigres Tâmeis não apenas renegaram a sua promessa de liberar todas as crianças combatentes já identificadas pela UNICEF, mas continuam a recrutar combatentes menores de idade. Os comentários surgem após uma missão de observação de dez dias de Allan Rock, assossor do Representante Especial para Crianças e Conflito Armado no Sri Lanka. Enquanto os militares negaram em as alegações em declaração, e consideraram como "completamente desvirtuadas", disseram ainda que os comentários "merecem um profundo senso de repulsa e de explicação em razão da seriedade da natureza e das repercussões. Os militares "negam com veemência ter qualquer tipo de envolvimento com o grupo separatista dos Tigres Tâmeis em seqüestros em Batticaloa", afirmaram em declaração. Apesar de grupos de direitos da criança e da Onu há muito acusar os Tigres de recrutar crianças durante a sua campanha separatista de mais de 20 anos, esta é a primeira vez que tal alegação é feita contra o governo por um representante de alto escalão. Os Tigres Tâmeis lutam contra o governo desde 1983 por um país separado para a minoria étnica Tâmil, alegando décadas de discriminação pelo Estado dominado pela maioria Sinhalesa. Mais de 65 mil pessoas morreram até o cessar-fogo de 2002. Mas novos confrontos já causaram a morte de mais de duas mil pessoas este ano, apesar dos dois lados afirmaram que honram a trégua.

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