ONU adia para 2005 possibilidade de banir clonagem

Um comitê das Nações Unidas afastou a possibilidade de banir todas as formas de clonagem, tanto a reprodutiva - como querem os cientistas - quanto as terapêuticas. O comitê legal da assembléia-geral aprovou por apenas 80 votos a favor e 79 contra, com 15 abstenções, a proposta de adiar para 2005 a redação de um tratado sobre a clonagem. Essa alternativa foi uma iniciativa do Irã, em nome dos 57 países-membros da Organização da Conferência Islâmica. O tema está em discussão na ONU desde 2001, quando a França e a Alemanha pediram que a organização redigisse um tratado proibindo a clonagem humana, depois que o italiano Severino Antinori e o a seita dos raelianos anunciaram - sem apresentar provas - ter clonado seres humanos para reprodução. A proibição da chamada clonagem reprodutiva é um consenso entre os 191 países da ONU. O problema é que a administração do presidente dos EUA, George W. Bush, com apoio de grupos anti-aborto, aproveitou a ocasião para apresentar uma proposta banindo todas as formas de clonagem, inclusive a que se destina à obtenção de células-tronco embrionárias, para uso em pesquisas médicas e científicas. Washington conquistou o apoio da Costa Rica e, supostamente, o de cem outros países, para a completa proibição de qualquer forma de clonagem. A Bélgica - com apoio do Brasil, Japão, África do Sul, Grã-Bretanha e vários países europeus - liderou o grupo que defendia a proibição apenas da clonagem reprodutiva. Pela proposta, a prioridade da ONU deveria banir a clonagem reprodutiva, deixando a cada governo o poder de decidir se proíbe ou não a clonagem terapêutica e, em caso de liberá-la, como regulamentar essa prática.

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