ONU admite culpa por surto de cólera no Haiti

Em comunicado, afirma que a recusa em reconhecer sua culpa no episódio e oferecer uma indenização 'é moralmente inconcebível, legalmente indefensável e politicamente contraproducente'

O Estado de S. Paulo

Você pode ler 3 matérias grátis no mês

ou Assinar por R$ 0,99

Você pode ler 3 matérias grátis no mês

ou Assinar por R$ 0,99

PORTO PRÍNCIPE - Cerca de seis anos após a epidemia de cólera que matou milhares de pessoas no Haiti, pela primeira vez, as Nações Unidas reconheceram seu envolvimento involuntário na disseminação do surto. 

Em nota, representantes do secretário-geral da organização, Ban Ki-moon, explicaram que “no ano passado, as Nações Unidas se deram conta de que precisam fazer muito mais a respeito de seu envolvimento desde o início da epidemia e do sofrimento das pessoas afetadas pelo cólera”. 

Criança recebe tratamento contra o cólera em Porto Príncipe  Foto: Nikki Kahn, The Washington Post

Um deles, Farhan Haq, afirmou que uma resposta será elaborada. No comunicado, Haq afirmou que a ONU está considerando “uma série de opções” e “uma nova e significativa série de ações por parte da organização” será apresentada publicamente nos próximos meses. O caso foi noticiado hoje pelo New York Times

A declaração foi feita após, no começo deste mês, um relatório apontar que a doença chegou ao país com os capacetes azuis do Nepal, provavelmente, no fim de 2010, dificultando o já difícil panorama do país após o terremoto que devastou a ilha.

Haitianos vivem em prédios destruídos por terremoto de 2010

1 | 11 Linda Desammlouis, 22, seca o chão após tomar banho no cômodo em que tem vivido, no centro de Porto Príncipe. Ela fugiu de casa aos 11 anos para escapar da violência na favela de Cite Soleil, onde cresceu. No centro de Porto Príncipe, prédios semi-destruídos pelo terremoto de cinco anos atrás ainda são usados por sem-tetos para morar e trabalhar  Foto: AP Photo/Rebecca Blackwell
2 | 11 Fritzner Zamo ao lado de sua esposa, Narilia Eva, que está grávida, em Porto Príncipe. Eles vivem num apartamento improvisado no centro da capital haitiana. No centro de Porto Príncipe, prédios semi-destruídos pelo terremoto de cinco anos atrás ainda são usados por sem-tetos para morar e trabalhar  Foto: AP Photo/Rebecca Blackwell
3 | 11 Theresa Pierre não sabe quanto anos tem. Ela vive num dos prédios semi-destruídos pelo terremoto de 2010, no centro de Porto Príncipe. Theresa disse que se mudou para o prédio logo após o terremoto e que se sente mais segura no local do que na favela de Cite Soleil, onde vivia antes da tragédia. No centro de Porto Príncipe, prédios semi-destruídos pelo terremoto de cinco anos atrás ainda são usados por sem-tetos para morar e trabalhar  Foto: AP Photo/Rebecca Blackwell
4 | 11 Antoine Jashe (D), 18, abraça sua namorada no interior do prédio em que vivem desde o terremoto de 2010. No centro de Porto Príncipe, prédios semi-destruídos pelo terremoto de cinco anos atrás ainda são usados por sem-tetos para morar e trabalhar  Foto: AP Photo/Rebecca Blackwell
5 | 11 Tenda de um vendedor montada em frente a um prédio destruído pelo terremoto de 2010 exibe frase  'Não tenha medo', no centro de Porto Príncipe, capital do Haiti. No centro da cidade, prédios semi-destruídos pelo terremoto de cinco anos atrás ainda são usados por sem-tetos para morar e trabalhar  Foto: AP Photo/Rebecca Blackwell
6 | 11 Antoine Jashe, 18, sentado sobre o telhado do prédio em que vive com sua namorada desde o terremoto de 2010. No centro de Porto Príncipe, muitos prédios danificados pelo tremor de cinco anos atrás servem de lar para desabrigados  Foto: AP Photo/Rebecca Blackwell
7 | 11 Mulher posa para foto em Porto Príncipe, no Haiti. No centro da capital, prédios semi-destruídos pelo terremoto de cinco anos atrás ainda são usados por desabrigados para morar e trabalhar   Foto: AP Photo/Rebecca Blackwell
8 | 11 Homem toma banho no interior de prédio destruído pelo terremoto de 2010 na capital do Haiti, Porto Príncipe Foto: AP Photo/Rebecca Blackwell
9 | 11 Mulher recolhe lixo para ser queimado enquanto limpa o interior de um prédio ocupado por desabrigados, em Porto Príncipe, no Haiti  Foto: P Photo/Rebecca Blackwell
10 | 11 Betina Edma, 20, segura sua filha de apenas 18 meses, Ketina Eliasin. Ela é uma das desabrigadas que vivem em prédios danificados pelo terremoto de 2010, em Porto Príncipe, no Haiti Foto: AP Photo/Rebecca Blackwell
11 | 11 Linda Desammlouis, 22, vive em cômodo de prédio danificado pelo terremoto de 2010, no centro de Porto Príncipe. Ela fugiu de casa aos 11 anos para escapar da violência na favela de Cite Soleil, onde cresceu. No centro da capital haitiana, prédios semi-destruídos pelo terremoto de cinco anos atrás ainda são usados por sem-tetos para morar e trabalhar  Foto: AP Photo/Rebecca Blackwell

Ainda segundo o documento, a recusa da ONU em reconhecer sua culpa no episódio e oferecer uma indenização “é moralmente inconcebível, legalmente indefensável e politicamente contraproducente”.

A mensagem foi bem recebida por advogados das vítimas. “Essa é uma grande vitória para os milhares de haitianos que têm buscado por justiça, escrito à ONU e questionado a organização na Justiça”, disse Mario Joseph, advogado dos direitos humanos, cujo escritório é responsável por um grande caso representando 5 mil vítimas de cólera que culpam a ONU pela doença. 

“É um bom momento para que a ONU faça o correto e prove ao mundo que ‘direitos humanos para todos’ também inclui os haitianos.” 

Em uma carta a altos funcionários da organização mundial, cinco especialistas em direitos humanos criticaram a ONU no ano passado por “praticamente se recusar a aceitar o direito fundamental à justiça que têm as vítimas do cólera”. 

A epidemia de cólera que atingiu o Haiti em 2010 afetou centenas de milhares de pessoas e causou mais de 9 mil mortes. Ainda que o número de vítimas venha diminuindo ao longo dos últimos anos, novos surtos têm surgido regularmente. / ANSA, EFE e AP 

Seu browser não suporta vídeos em HTML5

05/02/2013

 

Tudo o que sabemos sobre:

Encontrou algum erro? Entre em contato