ONU adota resolução que prevê ação militar contra Khadafi

Líder líbio diz que 'hora da decisão chegou' e ameaçou lançar ofensiva contra Benghazi, principal reduto rebelde.

BBC Brasil, BBC

17 de março de 2011 | 19h42

Khadafi disse que opositores que entregarem as armas serão anistiados

O Conselho de Segurança da ONU aprovou nesta quinta-feira uma resolução que estabelece uma zona de exclusão aérea na Líbia e autoriza ataques internacionais por ar, terra e mar contra as forças do coronel Muamar Khadafi.

A resolução, que prevê a adoção de "todas as medidas necessárias" para manter a zona de exclusão aérea, recebeu dez votos a favor e nenhum contra, mas cinco países - incluindo China e Rússia, membros permanentes do Conselho - se abstiveram.

Acredita-se que os primeiros ataques contra a Líbia possam começar nas próximas horas e sejam realizados pelas forças aéreas da França e da Grã-Bretanha.

Segundo fontes ouvidas pela BBC, é improvável que os Estados Unidos participem da ofensiva no início, que devem ter apoio logístico de nações árabes.

Rússia e China

Os Estados Unidos defenderam nesta quinta-feira uma ação mais contundente contra o regime de Khadafi, além das sanções que já foram adotadas.

Em visita à Tunísia, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que a imposição de uma zona de exclusão aérea na Líbia inevitavelmente envolveria ataques contra as forças do líder líbio.

Hillary disse que a Casa Branca deseja que o Conselho de Segurança autorize ataques a tanques e à artilharia pesada da Líbia.

Além dos EUA, a Grã-Bretanha e a França defendem uma intervenção na Líbia, mas a Rússia e a China, os outros países com poder de veto no conselho, se opõem ao uso de força contra um país soberano.

O chanceler britânico, William Hague, disse a parlamentares que a resolução "inclui demandas por um cessar-fogo imediato, um fim completo à violência, um veto a todos os voos sobre o espaço aéreo líbio, com a exceção de voos humanitários".

As forças líbias alertaram pela TV estatal que qualquer operação estrangeira contra o país vai expor ao perigo navios e aviões no Mediterrâneo.

"Todas as atividades civis e militares serão alvo de um contra-ataque líbio. O Mar Mediterrâneo estará em sério perigo não só no curto prazo mas também num longo prazo", disseram os militares.

Khadafi

A votação em Nova York ocorreu no mesmo dia em que Khadafi fez um discurso em que ameaçou lançar uma ofensiva contra a cidade de Benghazi, reduto das força opositoras a seu regime no leste do país.

No pronunciamento, o líder l disse que a "hora da decisão chegou". "O assunto foi decidido... nós estamos indo (para Benghazi)."

Segundo Khadafi, os opositores que largarem as armas serão anistiados, mas "não haverá misericórdia nem compaixão" com os restantes.

Ele afirmou que suas forças "resgatariam" o povo de Benghazi de "traidores" e "filhos de cães".

Segundo relatos, as tropas leais a Khadafi, que vem avançando rumo ao leste da Líbia nos últimos dias, estão a cerca de 130 km ao sul de Benghazi.

Nesta quinta-feira, muitos aviões do regime bombardearam o aeroporto da cidade, mas testemunhas disseram que os opositores derrubaram ao menos duas das aeronaves.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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