ONU adverte que Iraque está mergulhando em abismo sectário

Um enviado da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou na terça-feira que o Iraque está mergulhando no "abismo do sectarismo" e pediu aos líderes políticos e religiosos do país que coloquem fim à violência. O apelo foi feito após dois carros-bomba detonados em um mercado de Bagdá terem matado 88 pessoas. Ashraf Qazi, o enviado da ONU, condenou os ataques e pediu que os políticos e líderes religiosos do país coloquem fim à violência e "impeçam o país de mergulhar ainda mais no abismo do sectarismo". "Esses fatos deploráveis chamam atenção, mais uma vez, para a necessidade urgente de que todos os iraquianos rejeitem a violência e que optem, juntos, pelo caminho da paz e da reconciliação", afirmou Qazi, em um comunicado. O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, um xiita, responsabilizou os seguidores de Saddam Hussein pelo atentado mais recente. A execução do ex-ditador em meio a insultos proferidos por pessoas presentes deixou indignados muitos membros da minoria sunita, à qual pertencia Saddam. Os militares dos EUA disseram que soldados norte-americanos e iraquianos haviam adotado uma "postura equilibrada" ao investirem contra os grupos militantes xiitas e sunitas -- uma aparente resposta às acusações dos sunitas de que o governo de Maliki não enfrenta as milícias xiitas ligadas a alguns de seus aliados políticos. Cerca de 600 membros do grupo Exército Mehdi, liderado pelo jovem clérigo xiita Moqtada al-Sadr, estão detidos, disseram os militares. A investida contra as milícias xiitas, segundo os comandantes das Forças Armadas dos EUA, é algo novo e fundamental para a nova operação de segurança realizada em Bagdá com o apoio dos cerca de 20 mil soldados norte-americanos enviados como reforço. Em um comunicado, as Forças Armadas norte-americanas disseram que, nos últimos 45 dias, 52 operações tinham sido realizadas contra o Exército Mehdi e 42, contra insurgentes sunitas. Não foram divulgadas informações sobre quando os 600 integrantes do Exército Mehdi haviam sido detidos.

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