ONU adverte sobre aumento dos níveis dos oceanos

O nível das águas do mar registrou recorde de alta, o que deixa as regiões costeiras ainda mais vulneráveis a condições meteorológicas extremas como o tufão Haiyan, informou a Organização Meteorológica Mundial (OMM), ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), nesta quarta-feira.

Agência Estado

13 de novembro de 2013 | 16h04

Em relatório provisório sobre o clima do planeta, a OMM também estima que 2013 vai ser um dos anos mais quentes já registrados.

"As Filipinas se recuperam da devastação provocada pelo tufão Haiyan, o mais forte ciclone tropical s atingir o país e um dos mais intensos já registrados", disse Michel Jarraud, secretário-geral da OMM. Mas antes mesmo da chegada de Haiyan, o país tentava se reabilitar do tufão Bopha, que deixou quase 2 mil mortos ou desaparecidos em 2012.

"Embora ciclones tropicais individualmente não possam ser diretamente atribuídos às mudanças climáticas, níveis mais altos das águas do mar já tornam as populações costeiras mais vulneráveis a tempestades. Nós vimos as trágicas consequências nas Filipinas", disse ele.

Especialistas dizem que a relação entre mudanças climáticas e ciclones ainda é uma questão em aberto, mas alguns preveem que esses eventos se tornarão mais fortes e talvez mais frequentes em razão do aquecimento global.

"Os níveis das águas do mar alcançaram um novo recorde em março de 2013", afirma o documento. Com uma média de aumento de 3,2 milímetros por ano, o nível atual é o dobro da tendência do século 20, que era de 1.16 milímetros por ano, afirma o relatório.

Nas Filipinas, os níveis subiram numa média quatro vezes maior do que o ritmo global, aumentando 12 milímetros. Jarraud disse que esta foi um dos principais motivos que levaram aos estragos produzidos pela tempestades.

Os níveis das águas do mar não são uniformes em todo o mundo. Pressão atmosférica e correntes marítimas exercem influência, assim como a sedimentação causada por fontes subterrâneas de água.

Gases de efeito estufa

Em relatório publicado na semana passada, a OMM disse que em 2012 as concentrações de gases de efeito estuda atingiram um novo recorde de 393,1 partes por milhão, aumento de 2,2 partes por milhão na comparação com o ano anterior e um aumento de 14% desde o início da Revolução Industrial, em 1750.

"Nós esperamos que eles cheguem a níveis sem precedentes novamente em 2013. Isso significa que seremos submetidos a um clima mais quente no futuro", afirmou Jarraud nesta quarta-feira.

Os primeiros nove meses de 2013 colocam o ano como o sétimo mais quente desde que a coleta de dados começou a ser feita, em 1850.

A temperatura em terra e no oceano foi 0,48 grau Celsius mais alta do que a média de 1961 a 1990. A maioria das regiões registrou temperaturas acima da média, com extremos dignos de nota na Austrália, norte da América do Norte, nordeste da América do Sul, norte da África e a maior parte da Eurásia.

Especialistas advertem que, a menos que mais seja feito para controlar as emissões de gases de efeito estufa, o mundo enfrentará efeitos potencialmente devastadores. Além das megatempestades, eles esperam extinção de espécies, falta de água, ondas de calor e secas, perda de safras e de terras por causa da elevação das águas com o derretimento de glaciares e do gelo polar e propagação de doenças. "O risco está ficando cada vez maior e a vulnerabilidade está aumentando", disse Jarraud.

O relatório da MMO foi divulgado nesta quarta-feira enquanto negociadores se reúnem em Varsóvia na 19º Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-19), com o objetivo de definir as bases para um acordo para minimizar das mudanças climáticas. Fonte: Dow Jones Newswires.

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