ONU adverte sobre onda de refugiados de Benghazi

Entidade diz que espera receber mais de 200 mil pessoas na fronteira com o Egito por causa da ofensiva internacional

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2011 | 00h00

A população de Benghazi tenta escapar dos ataques das tropas de Muamar Kadafi e de uma eventual batalha entre a aliança internacional e Trípoli. Ontem, depois que mísseis de cruzeiro foram disparados de submarinos americanos e britânicos e caças franceses iniciaram ataques contra alvos líbios, a ONU anunciou que espera receber 200 mil refugiados líbios apenas na fronteira entre o Egito e a Líbia nas próximas horas.

Desde o início da crise, há três semanas, 300 mil pessoas já abandonaram a Líbia, segundo dados das Nações Unidas. A entidade afirma que teve de repatriar para seus países de origem cerca de 50 mil pessoas, na maior operação do tipo desde a Guerra do Golfo, em 1991.

Mas se até ontem as pessoas que estavam abandonando a Líbia eram estrangeiros e imigrantes - que nos últimos anos tinham trocado o Egito e a Tunísia pelos salários mais altos em Trípoli -, a ONU admite que vê pela primeira vez um grande fluxo de refugiados líbios.

Trauma. Segundo Elizabeth Tan, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), os comboios de veículos que chegavam ontem à fronteira com o Egito traziam pessoas "assustadas e traumatizadas".

"Alguns disseram que os ataques das forças do governo destruíram completamente suas casas", afirmou a porta-voz.

A ONU pede US$ 140 milhões em doações internacionais para lidar com o novo êxodo, mas diz que não foi autorizada por Kadafi a atuar dentro da Líbia, nem mesmo para fornecer ajuda humanitária. A entidade diz que vem recebendo informações de que filas quilométricas de carros foram formadas em algumas estradas em direção ao Egito. "Há um sentimento de desespero. Muitas famílias decidiram não esperar mais e temem que a resposta do governo seja terrível", afirmou a porta-voz.

Muitos deixaram suas casas apenas com a roupa do corpo. No caminho para o Egito, receberam garrafas com água, distribuídas por moradores de pequenos vilarejos.

Lampedusa. Se não bastasse o êxodo para o Egito, a ONU confirmou ontem que a Ilha de Lampedusa, no sul da Itália, continua registrando um fluxo cada vez mais intenso de refugiados, a maioria da Tunísia. Entre sexta-feira e ontem, 15 barcos cruzaram o Mediterrâneo levando refugiados para a ilha italiana, onde o centro de acolhida já tem 3 mil pessoas.

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