ONU age para conter saques no Haiti

Multidões voltam às ruas para protestar contra aumento de preço dos alimentos; presidente pede calma

AP, AFP, EFE E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

10 de abril de 2008 | 00h00

Porto Príncipe - O presidente do Haiti, René Préval, falou ontem pela primeira vez desde que protestos violentos contra os altos preços dos alimentos tomaram conta do país há uma semana. Em pronunciamento nacional, Préval pediu calma e o fim de saques de estabelecimentos comerciais. "A situação que o Haiti atravessa é reflexo de uma crise mundial. Estamos pagando as conseqüências das más políticas aplicadas há mais de 20 anos no país", afirmou o presidente. "Há fome nos países pobres, mas também há fome nos países ricos." Préval pediu aos haitianos que parassem com os saques e com a destruição, alegando que esse tipo de comportamento não vai ajudar a resolver os problemas do país. "Ordenei à polícia haitiana e aos soldados da ONU que ponham fim aos saques." O professor Paulo Edgar Almeida Resende, coordenador do Núcleo de Análise de Conjuntura Internacional da PUC-SP, opina sobre a crise e diz que intervenção da ONU não é suficientenome Acompanhe as última notícias sobre a crise no HaitiDesde que os distúrbios começaram, na semana passada, a violência deixou 5 mortos e cerca de 40 feridos. Ontem, numerosos grupos de jovens foram às ruas e bloquearam as passagens com pneus e pedras. Muitas lojas foram saqueadas por manifestantes que levavam paus e armas. Uma emissora de rádio também foi apedrejada, no terceiro ataque contra empresas de comunicação do país nos últimos dias. Comandados pelo Brasil, os soldados da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah), que protegem desde terça-feira o Palácio Nacional - sede da presidência -, lançaram gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. Na terça-feira, os soldados conseguiram impedir que manifestantes ocupassem a sede do governo.Um dia depois de o Conselho de Segurança da ONU reafirmar seu respaldo ao governo haitiano, o secretário-geral da organização, Ban Ki-moon, também pediu calma à população. "O secretário-geral pede a todos os manifestantes que não cometam novos atos de violência", afirma nota de seu gabinete. Ela assinala que "a Minustah - integrada em sua maioria por latino-americanos - e o sistema das Nações Unidas seguirão apoiando as autoridades haitianas para manter a ordem e para fazer com que chegue ajuda de emergência ao povo haitiano".ALTA DOS PREÇOSPréval anunciou um programa de auxílio para a produção local de arroz, leite e ovos, numa tentativa de frear a elevada inflação no país. Em uma semana, um pacote de 50 quilos de arroz, que custava US$ 35, passou a custar US$ 70, enquanto o preço da gasolina subiu pela terceira vez em dois meses.O líder haitiano afirmou que pretende se reunir com importadores para tentar forçar uma queda no preço dos produtos alimentícios básicos. Préval também pediu que a população consuma produtos nacionais, estimando que essa atitude possa contribuir para resolver a crise atual. O Haiti, que tem 8,5 milhões de habitantes, é o país mais pobre do continente americano, e 80% de sua população vive com menos de US$ 2 por dia.HISTÓRIA RECENTE1956: François Papa Doc Duvalier toma o poder em golpe militar1971: Após morte de Papa Doc, Jean-Claude Duvalier, o Baby Doc, assume poder1986: Baby Doc foge do país1990: Jean-Bertrand Aristide é eleito presidente1991: Exército derruba governo1994: EUA intervêm para reinstalar Aristide no poder1995: René Préval, protegido de Aristide, é eleito presidente2000: Aristide conquista um segundo mandato2003: Começa onda de protestos contra AristideFevereiro de 2004: Aristide renuncia e deixa o paísJunho de 2004: Primeiros contingentes da ONU chegam ao paísFevereiro de 2006: Préval ganha eleições para presidente

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