ONU ainda discute proposta de cessar-fogo na Geórgia

Diplomatas dos Estados Unidos e da Europa continuam tentando chegar a um consenso em torno de uma proposta de resolução a ser apresentada ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), exortando Rússia e Geórgia a um "cessar-fogo imediato". O Conselho de Segurança se reuniu quatro vezes nos últimos três dias na tentativa de aprovar uma resolução, mas ela esbarrou na insistência dos EUA de que seja adotada uma linguagem "dura" contra a Rússia. Os diplomatas estão trabalhando em torno de um plano de paz de três pontos apresentado pelo ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner. A idéia é propor às partes em conflito "uma cessação imediata das hostilidades, o respeito total à soberania e à integridade territorial da Geórgia e o restabelecimento da situação que existia antes" que tropas da Geórgia atacassem a província separatista da Ossétia do Sul, de população majoritariamente russa.Um diplomata ocidental, que pediu para não ter seu nome revelado, disse que os EUA querem que a resolução do Conselho de Segurança condene a Rússia pelo que Washington vê como "reação desproporcional" à ofensiva militar georgiana. Os europeus, porém, defendem um texto que possa receber apoio mais amplo, inclusive da Rússia, que, como membro permanente do Conselho, tem poder de veto. "Isso vai levar algum tempo, a não ser que você queira um veto russo, o que não seria uma solução", disse o diplomata. Em Bruxelas, o embaixador da Rússia junto à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Dmitry Rogozin, minimizou a declaração de cessar-fogo assinada pelo governo da Geórgia. "Um acordo de cessar-fogo é assinado pelas duas partes quando elas se encontram. Primeiro, precisamos de um acordo escrito entre a Geórgia de um lado, e a Ossétia do Sul e a Abkázia do outro, de que elas nunca voltarão a usar a força no futuro", disse Rogozin (a Abkázia é uma segunda província georgiana que declarou independência, assim como a Ossétia do Sul). A atitude dos EUA e de seus aliados europeus em relação à Ossétia do Sul contrasta com a que eles tomaram meses atrás, quando a província sérvia de Kosovo se declarou independente. Embora a Rússia tenha advertido que o apoio à separação de Kosovo era uma violação da soberania da Sérvia e seria um precedente para situações como a da Ossétia do Sul, os EUA e seus aliados apressaram-se a aprovar a separação de Kosovo. As informações são da Dow Jones.

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