ONU alerta contra retirada prematura do Haiti

O chefe da missão de paz daOrganização das Nações Unidas (ONU) no Haiti alertou nasegunda-feira contra uma retirada precipitada e disse que seusesforços de reconstrução do país tem limites. A segurança no Haiti melhorou significativamente desde adissolução das principais gangues, no ano passado, disse HediAnnabi em entrevista coletiva em Brasília. Mas a paz no país,segundo ele, continua frágil. "Se reduzirmos dramaticamente (o contingente militar)deixaríamos um vácuo", disse Annabi, que encontrou autoridadesbrasileiras para discutir uma reestruturação da força, para queinclua mais policiais e menos soldados. O Haiti tem apenas 8 mil policiais, bem aquém dos 14 milnecessários, segundo Annabi. A força multinacional, comandada por um general brasileiro,está no segundo ano de um programa qüinquenal destinado areformar a polícia haitiana e o Judiciário, segundo o chefe damissão. A ONU deve renovar o mandato da missão, que expira emoutubro, segundo o representante. A missão foi iniciada em2004, depois da rebelião que derrubou o presidenteJean-Bertrand Aristide. "Não temos nenhum desejo de permanecer por mais tempo doque o necessário, mas precisamos garantir que não tenhamos devir outra vez", afirmou Annabi. A força da ONU no Haiti tem 9.000 soldados e policiais,sendo cerca de 1.200 brasileiros. O Brasil propõe vários programas sociais, em áreas comomanejo do lixo, vacinação e controle da erosão, mas Annabidisse que há um limite às tarefas das tropas. "Não somos uma agência de desenvolvimento. À margem fazemostudo o que podemos para tratar das necessidades mais urgentes,mas não fazemos trabalho de desenvolvimento." Annabi agradeceu a oferta de tropas adicionais do Brasil,feita em outubro, mas disse que os mandatos da ONU e do próprioBrasil limitam o tamanho do contingente brasileiro. (Por Raymond Colitt)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.