ONU alerta para aumento de refugiados no mundo

Só em 2009, conflitos deslocaram 43,3 milhões de pessoas; número de pedidos de refúgio é o maior em 20 anos

Vannildo Mendes, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2010 | 00h00

Em dezembro de 2009, o mundo registrou a marca de 43,3 milhões de pessoas forçadas a se deslocar por causa de conflitos e perseguições, segundo balanço anual divulgado ontem pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur).

Mas essa não é a única má notícia. No ano passado, os pedidos de refúgio (15,2 milhões) foram recorde em 20 anos e cresceu também a proporção de crianças (18.700) desacompanhadas ou separadas das famílias que pediram o benefício - 81% delas acolhidas em países europeus.

A maior parte dos deslocamentos forçados ocorreu no Oriente Médio e na África. Nas Américas, o único país que integra a lista dos dez maiores emissores de refugiados é a Colômbia, abalada por uma guerra civil que já dura 46 anos.

"A situação ficou ainda mais complicada porque caiu o número de repatriados que retornam voluntariamente a seus países", lamentou o representante do Acnur no Brasil, Andres Ramirez.

O levantamento mostra que o Brasil, embora esteja numa região pouco conflagrada, tornou-se destino importante para refugiados, principalmente em razão da vastidão de suas fronteiras e costa marítima. "O refugiado não entra num país por escolha", disse Renato Zerbini, coordenador-geral do Conselho Nacional de Refugiados (Conare), órgão do Ministério da Justiça encarregado de julgar os pedidos de refúgio. "Por desespero, eles entram no primeiro navio ou embarcação e chegam ao País por acaso."

Em 2009, o Brasil concedeu refúgio a 275 pessoas de mais de 20 nacionalidades. O número foi 175% maior do que o de 2008.

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