ONU alerta para colapso da economia síria

Às vésperas de completar dois anos, o conflito na Síria encolheu a economia do país em 30% e praticamente paralisou o setor agrícola, segundo dados divulgados ontem pela ONU. Ao menos 65 mil pessoas morreram e há 775 mil refugiados vivendo em países vizinhos. Dentro da Síria, ao menos 4 milhões de pessoas precisam de auxílio alimentar todos os dias.

JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE / GENEBRA , O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2013 | 02h09

Segundo a entidade, o impacto econômico é grande. Em dois anos, o preço do pão na cidade de Alepo triplicou. Os valores de leite e carne aumentaram 300%. A produção de trigo caiu de 4 milhões de toneladas anuais para 2 milhões. Só o setor agrícola já acumula perdas de US$ 1,8 bilhão.

Um sexto da população da Síria precisa de ajuda das entidades internacionais para sobreviver e, segundo a ONU, as sanções impostas por governos estrangeiros estão afetando sua capacidade de atender a todos que precisam de ajuda.

Sem sinais claros de uma possibilidade de acordo para conter o conflito e diante da incapacidade da comunidade internacional em adotar uma linha única para pressionar os sírios, a ONU descreve a crise como um "pesadelo humano". Apenas em janeiro, 5 mil pessoas morreram. São mais de 160 mortos por dia.

Em zonas de fronteira, milhares de outros deslocados esperam o momento para sair. Só do lado sírio da fronteira com a Turquia 40 mil pessoas aguardam para deixar a Síria. Internamente, 2 milhões de pessoas tiveram de abandonar suas casas e cidades. Na avaliação da ONU, até junho mais de 1,1 milhão de refugiados sírios estarão vivendo fora do país.

Falando por telefone de Damasco, a representante da Organização Mundial da Saúde, Elisabeth Hoff, alertou que a situação dos hospitais e dramática. Segundo ela, "55% dos centros de atendimento estão destruídos e 75% das ambulâncias da Síria não podem mais ser usadas". "Estamos vendo a volta de doenças que haviam sido controladas aqui e isso em razão da falta de higiene." O fornecimento de água caiu 20% em Damasco e até 90% em outras cidades.

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