ONU alerta para risco de guerra civil na Costa do Marfim

A Organização das Nações Unidas (ONU) advertiu hoje que os fortes confrontos na Costa do Marfim, iniciados com a contestação do resultado da eleição presidencial, podem levar ao retorno da guerra civil no país. Novos distúrbios foram registrados na capital Abidjã e em regiões do oeste do país. Pelo menos 15 pessoas morreram na última semana.

AE, Agência Estado

24 de fevereiro de 2011 | 16h37

Pela primeira vez desde o pleito realizado em novembro, a ONU disse que tropas leais ao presidente Laurent Gbagbo foram atacadas por comandos leais a seu oponente, Alassane Ouattara. "Isso muda as coisas", disse o porta-voz local da ONU Hamadoun Toure. "Antes, havia confrontos entre a polícia e os manifestantes. Agora, começam os combates entre duas forças armadas, o que pode ter sérias consequências para o país e até para a região".

Um porta-voz militar ligado a Ouattara, capitão Leon Kouakou Alla, disse que as forças aliadas contra Gbagbo estavam se defendendo. Ele afirmou que elas agem sozinhas, não sob as ordens do líder político, considerado vencedor da eleição presidencial pela comunidade internacional. "Eles têm sido perseguidos, sequestrados e mortos pelos homens de Gbagbo, então agora estão se defendendo. Isso é normal", afirmou.

Moradores disseram ter ouvido troca de tiros de armas automáticas na manhã de hoje no distrito de Abobo, em Abidjã, a capital comercial do país, depois de três dias de fortes combates entre forças policiais leais a Gbagbo, que se recusa a deixar o poder, e o grupo que se autodenomina "comandos invisíveis", que, acredita-se, inclui antigos grupos rebeldes. Centenas de pessoas fugiram de Abobo a pé pela estrada principal. Algumas puxavam carrinhos de madeira, outras embalaram seus pertences em lençóis.

Na manhã de hoje também ocorreram confrontos no oeste do país, perto da fronteira com a Libéria e a Guiné, informou a missão de paz da ONU. Esta área é particularmente sensível, já que mais de 40 mil marfinenses que deixaram suas casas estão atualmente na região e outros 40 mil cruzaram a fronteira, segundo a ONU. "Isto é uma quebra do cessar-fogo que mantemos nos últimos seis anos", afirmou o porta-voz da organização. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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