ONU alerta para sectarismo e escalada do conflito na Síria

Evidências encontradas pelos investigadores da ONU sugerem que uso da força por tropas leais a Assad é 'desproporcional'

BRUXELAS, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2012 | 02h11

A guerra na Síria se tornou dividida ao longo de linhas sectárias, colocando cada vez mais a comunidade alauita, atualmente no poder, contra a maioria sunita, com combatentes estrangeiros ajudando ambos os lados, disseram investigadores de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) ontem.

"Na medida em que as batalhas entre as forças do governo e grupos armados contrários ao governo chegam perto do fim de seu segundo ano, o conflito se tornou abertamente sectário em sua natureza", disseram os investigadores independentes, liderados pelo especialista brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro.

As declarações constam de seu relatório mais recente, de 10 páginas, sobre a guerra na Síria.

Forças leais ao ditador Bashar Assad aumentaram os bombardeios aéreos contra alvos controlados pelos rebeldes, incluindo até mesmo ataques a hospitais.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, 88 hospitais públicos e cerca de 200 clínicas foram danificadas ou destruídas, deixando muitos sem acesso à saúde. Diabéticos não encontram insulina, pacientes renais não podem chegar aos centros de diálise. Cidades estão sem sistema de purificação de água. Centenas de milhares de pessoas deslocadas pelos combates estão expostos ao frio em tendas ou prédios sem aquecimento.

  "Estamos falando de uma crise de saúde pública em grande escala", disse à AP Abdalmajid Katranji, cirurgião de Michigan, nos EUA, que regularmente serve como voluntário na Síria.

Evidências encontradas pelos investigadores independentes da ONU sugerem que tais ataques são "desproporcionais". Segundo o documento, a guerra está sendo conduzida, tanto pelos rebeldes como pelas forças leais a Assad, "cada vez mais em violação às leis internacionais".

"Ameaçadas e sob ataque, minorias étnicas e religiosas têm se alinhado com partes do conflito, aprofundando as divisões sectárias", diz o relatório.

A maioria dos "combatentes estrangeiros" que entrou na Síria para se juntar a grupos rebeldes ou para lutar de forma independente com eles são sunitas de países do Oriente Médio e do norte da África.

O investigadores da ONU, que elaboraram seu relatório após realizar uma série de entrevistas na região entre os dias 28 de setembro e 16 de dezembro.

O grupo xiita libanês Hezbollah confirmou que seus integrantes estão na Síria combatendo ao lado do governo. Também há informações de que xiitas iraquianos tenham se envolvido nos conflitos e o Irã confirmou em setembro que suas Guardas Revolucionárias estão dando ajuda à Síria. / JAMIL CHADE, COM AP e REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.