ONU alerta para situação de fome de 300 mil pessoas em Darfur

O Programa Mundial de Alimentos (PMA), agência especializada da ONU, alertou nesta terça-feira sobre a grave situação das cerca de 300 mil pessoas em Darfur para as quais não conseguiu distribuir alimentos pelo quarto mês consecutivo, devido à insegurança e à criminalidade registradas na região.A intensificação do conflito armado entre as forças rebeldes e o Governo de Cartum impediu que a agência especializada das Nações Unidas distribuísse comida a 224 mil pessoas em Darfur em setembro, 195 mil delas no sul e 29 mil no norte do país."Esses números são menores que os do mês anterior, mas continuam muito altos", afirmou em entrevista coletiva a porta-voz do PMA, Christiane Berthiaume, que ressaltou a urgência da situação devido às poucas possibilidades das pessoas encontrarem comida em outros lugares até a temporada de colheita.ConflitosDesde que foi assinado o cardo de paz de Abuja (capital da Nigéria), em maio passado, entre as autoridades sudanesas e uma milícia insurgente de Darfur, os confrontos entre os defensores do tratado e os críticos se multiplicaram e dificultaram o trabalho dos órgãos internacionais.O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) afirmou nesta terça-feira que "mais uma prova da desestabilização da região" foi a troca de tiros no sábado entre o Exército sudanês e um grupo de rebeldes perto do acampamento de Oure Cassoni, no oeste do Chade, que abriga mais de 27 mil refugiados sudaneses.No entanto, além do problema da insegurança há a falta de financiamento da operação humanitária da ONU no Sudão, onde o PMA atende a 6 milhões de pessoas em todo o país e a 3,2 milhões apenas em Darfur, o que representa o maior grupo de pessoas sob o amparo da organização.A falta de recursos fez com que, em maio, houvesse a redução pela metade das porções distribuídas em Darfur. Um mês depois, novas doações permitiram elevar as quantidades até 85% da quantidade de calorias recomendada (2.100 calorias diárias), mas se não chegarem mais contribuições só haverá reservas até o final de 2006.Com a intenção de evitar uma nova redução, o PMA reiterou à comunidade internacional seu pedido de US$ 350 milhões para manter as porções distribuídas até março de 2007 e armazenar alimentos para os quatro meses seguintes, quando ocorre a estação de chuvas e grande parte da população fica isolada por estrada.

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