AP Photo/Farah Abdi Warsameh
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ONU alerta que 196 pessoas morreram na Somália em razão da seca

Escassez de água provocou aumento do preço do produto, levando as comunidades a recorrerem a fontes perigosas; presidente declarou estado de ‘desastre natural’ no país

O Estado de S.Paulo

06 de março de 2017 | 10h10

MOGADÍSCIO - O Escritório de Coordenação Humanitária da ONU (OCHA) alertou nesta segunda-feira, 6, que 196 pessoas morreram na Somália neste ano em razão da grave seca que assola o país, especialmente na região sul, e obrigou as autoridades a declararem estado de "desastre nacional".

A escassez de água provocou um aumento do preço do produto, motivo pelo qual as comunidades se viram obrigadas a recorrer a fontes perigosas, aumentando o risco de contrair doenças como cólera e diarreia.

Desde janeiro foram contabilizadas 196 mortes em 11 regiões do país, enquanto mais de 7,9 mil pessoas se viram afetadas por um surto de cólera, segundo dados recentes divulgados pelo OCHA em comunicado.

O governador da região de Bay, Abdirashid Abdullahi Mohamed, afirmou que nos últimos dias 110 pessoas morreram em razão da escassez de água e de doenças agudas.

Segundo ele, a situação piora a cada dia nessa região, onde o maior desafio é a restrição do acesso da ajuda humanitária em razão da presença do grupo terrorista somali Al-Shabab, que controla amplas áreas do sul e do centro do país.

Na terça-feira 28, o presidente da Somália, Mohamed Abdullahi Farmaajo, declarou estado de "desastre natural" no país e pediu à comunidade internacional que responda "de forma urgente a esta calamidade".

Cerca de três milhões de somalis estarão em situação de emergência alimentícia em junho de 2017 e a um passo da crise de fome em razão da intensa seca registrada nos últimos meses, segundo a ONU.

A falta de chuvas provocou uma queda de 70% na produção de alimentos em algumas partes da Somália.

Organismos internacionais temem que a situação atual resulte em uma crise de fome no país como a de 2011, quando 250 mil pessoas morreram, mais da metade delas menores de cinco anos.

Os países da região também advertiram que uma nova crise de fome poderia piorar a situação de segurança em uma região onde a ameaça jihadista e os enfrentamentos étnicos pelos recursos causam vários conflitos. / EFE

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