ONU alerta sobre conflitos no Sudão, na Etiópia e na Somália

Subsecretário para assuntos humanitários viajou para os três países para avaliar necessidades da população

Efe,

07 de dezembro de 2007 | 00h55

O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, John Holmes, lançou um alerta nesta quinta-feira, 5, por meio de um relatório enviado ao Conselho de Segurança sobre a "notável deterioração" da situação da população civil atingida pelos conflitos na Somália, na Etiópia e no Sudão. Holmes viajou recentemente aos três países para avaliar as condições de vida e as necessidades das milhões de pessoas que dependem da assistência humanitária para se alimentarem, usarem os serviços médicos e obterem moradia. "Estou extremamente preocupado pela situação humanitária nas três regiões que visitei. São o reflexo dos imensos desafios políticos e de segurança que a região enfrenta, e que devem ser de grande interesse para este Conselho", declarou Holmes durante seu discurso perante o órgão executivo da ONU. O diplomata destacou o crescente problema humanitário que representa a fuga em massa de habitantes da capital somali, Mogadíscio, onde os combates contínuos entre tropas governamentais e rebeldes fizeram com que a metade da cidade tenha ficado vazia. Quase a metade das 600 mil pessoas que abandonaram Mogadíscio se fixaram ao longo de um trecho de 15 quilômetros da estrada que une a capital com a localidade de Afgooye, o que para Holmes é "provavelmente a maior concentração mundial atual de deslocados internos em um mesmo local". "Todas as pessoas com as quais falei nos campos tinham fugido da intimidação e da violência que tornaram a vida em Mogadíscio insuportável", declarou. "Alguns deles", prosseguiu, "me contaram como os franco-atiradores espalharam pânico nas ruas. Muitos fugiram apenas com a roupa do corpo". Holmes disse que está acontecendo uma operação de assistência "decente" para esta população, mas acrescentou que ainda existem dúvidas sobre a situação exata de outros grupos de deslocados que se refugiaram em áreas inacessíveis do centro e do sul do país. Ante as graves condições nas quais vivem quase 1,5 milhão de somalis, o subsecretário anunciou que aumentará para US$ 400 milhões o pedido de fundos para 2008. Na Etiópia, Holmes visitou a região de Ogadén, onde há alguns anos o governo de Adis-Abeba enfrenta um movimento armado separatista. A intensificação do conflito nos últimos meses e as medidas de isolamento da região executadas pelo governo, disse, aumentaram o temor de que boa parte de seus 1,4 milhão de habitantes sofram uma crise de fome. "Minha avaliação inicial da crise, a partir da minha visita e os contatos que tive, é de que apesar de atualmente não haver uma catástrofe humanitária, existem razões substanciais para crer o que poderia acontecer nos próximos meses se não se trabalhar para evitar isto", declarou Holmes. O subsecretário também descreveu um panorama preocupante em relação a Darfur, onde mais de 13.300 pessoas concedem assistência a 4,2 milhões de pessoas prejudicadas pelo conflito, mais da metade delas deslocadas de seus lares. Holmes disse que ainda não surgiram as circunstâncias apropriadas para fomentar um retorno dos refugiados e deslocados a seus antigos lares. Ele também advertiu que aconteceu um aumento significativo das agressões, principalmente de grupos rebeldes, contra organizações humanitárias.

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