ONU alertou 33 vezes que escola tinha refugiados

Documentos da ONU obtidos pelo Estado revelam que a direção da entidade alertou 33 vezes aos militares israelenses de que a escola bombardeada no domingo em Rafah abrigava 3 mil refugiados. O último alerta foi feito uma hora antes do ataque, que deixou dez mortos, entre eles cinco crianças com idades entre 3 e 15 anos.

JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2014 | 02h01

Os relatórios mostram que seis escolas e instalações mantidas pela ONU como abrigos para refugiados já foram bombardeadas em Gaza. Uma delas chegou a ser atacada duas vezes. "Investigações preliminares indicam que cinco abrigos de emergência - todos protegidos pela Convenção de Privilégios e Imunidade da ONU - foram alvos de ataque diretos de Israel", indica um documento. O levantamento também destaca que três dessas escolas foram construídas com dinheiro dos EUA. Outra foi paga com fundos da União Europeia.

Israel nega que tenha atacado a ONU sem objetivo militar. Segundo o governo israelense, as escolas estavam sendo usadas como esconderijo para armas do Hamas e pelo menos três bombardeios tiveram como objetivo destruir esses armazéns, como nos dias 16, 22 e 29.

Envolvida no fogo cruzado, a ONU admitiu que as escolas estavam fechadas para as férias e condenou o uso do local pelo Hamas, alertando que houve uma "flagrante violação do direito humanitário". A organização garante que destruiu as armas, que o local era usado como abrigo para refugiados. Segundo a ONU, 95 prédios e instalações da entidade foram atingidos desde o dia 8 em 135 ataques diferentes.

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